Parte Preliminar - SÍNTESE E PROPOSTAS DE ACÇÕES DE MELHORIA

O presente Relatório pretende fornecer informações que permitam avaliar as mudanças concretizadas em termos curriculares e pedagógicos na Licenciatura em Comunicação Social, no âmbito da concretização dos objectivos do Processo de Bolonha, dando assim resposta ao disposto no art. 66º-A do Decreto-Lei nº107/2008 de 25 de Junho. Este relatório incide sobre as alterações introduzidas no ano lectivo de 2008/09 no funcionamento do curso após a sua adequação ao Processo de Bolonha, nomeadamente no que se refere a questões de organização e funcionamento. Também apresenta a leitura dos resultados dos inquéritos realizados junto dos docentes e dos estudantes de 2º e 3º anos sobre o mesmo tema. A criação de condições para uma formação orientada para o desenvolvimento das competências dos estudantes pressupõe a transição de um sistema de ensino baseado na ideia da transmissão de conhecimentos para um sistema baseado no desenvolvimento de competências e a adequação permanente dos métodos de ensino/aprendizagem ao desenvolvimento dessas competências.


Parte A - CARACTERIZAÇÃO DE COMPETÊNCIAS DESEJADAS

O 1º ciclo do Curso de Comunicação Social está alicerçado em três áreas complementares tendo como base a área das Ciências da Comunicação, a que se seguem as Ciências Sociais e Humanas, Económicas e Empresariais e ainda de especialidades. Pretende-se dotar o futuro diplomado de competências teóricas e técnicas que possibilitem um bom desempenho em várias funções no âmbito da comunicação.

Centrado nos aspectos teóricos e instrumentais da Comunicação, o curso em Comunicação Social possibilita uma análise crítica e interventiva em diferentes domínios do desempenho da profissão, em lato senso. Para cumprir este propósito, o plano de estudos foi centrado num conjunto de áreas disciplinares que possibilitam o cruzamento de perspectivas amplas, múltiplas e enriquecedoras da formação superior. De acordo com as orientações de Bolonha aposta-se numa formatação de banda larga, com duas possibilidades de escolha, favorecedora de novas abordagens pedagógicas e científicas, de modo a integrar e antecipar a realidade profissional e os desafios que lhe são inerentes.

O detentor do grau reunirá competências para trabalhar em vários domínios da Comunicação entre os quais se destacam: assessoria de comunicação empresarial e institucional, jornalismo (impresso, radiofónico e televisivo), produção audiovisual e multimédia.


Parte B - CARACTERIZAÇÃO GENÉRICA DO CURSO

O curso de Licenciatura em Comunicação Social, adaptado ao modelo de Bolonha, iniciou o seu funcionamento em 2006/2007 sendo o Diploma legal de aprovação o Despacho n.º 2150/2007 de 9 de Fevereiro (DR nº 29 - Série II).

O Plano de Estudos do 1º Ciclo do Curso de Comunicação Social, como já foi mencionado (cf. Parte A) centra-se num conjunto de áreas disciplinares que possibilitam o cruzamento de perspectivas amplas, múltiplas e enriquecedoras da formação superior. Se bem que o Curso tenha sido organizado de forma a responder às questões de desenvolvimento regional, neste momento pretende-se também que ele passe a integrar os conhecimentos que, nesta área científica, têm vindo a ser produzidos pela investigação mais recente. Em 2007 (de acordo com decisões tomadas nesta Instituição aquando da adequação dos Planos de Estudo do Curso às directivas do Processo de Bolonha) o Conselho Científico elaborou, discutiu e aprovou uma matriz curricular para todos o curso que estabelece as bases da organização dos planos de estudos de todos os cursos aqui leccionados, designadamente os limites ao número de unidades curriculares (UC) e de créditos por unidade curricular. Assim, foi decidido que os Planos de Estudos não deveriam ter mais do que 12 unidades curriculares em cada ano escolar e que cada UC deveria situar-se entre os 4 e 6 créditos, já que cada unidade de crédito ECTS equivale a 27 horas de trabalho do aluno. Esta continua a ser a matriz a que se submetem as diversas Unidades Curriculares do actual Plano de estudos do Curso de Comunicação Social. Esse Plano é o que consta do Despacho n.º 9957-S/2007 de 29 de Maio (DR n.º 103 - Série II). Neste âmbito, reconhecemos o papel central que o novo conceito de Crédito assume nas transformações que se estão a desenvolver no Ensino Superior Europeu. De facto, ao centrar-se a creditação da formação na quantidade de trabalho que é pedida aos estudantes em cada Unidade Curricular, a gestão e desenvolvimento do currículo organiza-se em função dos processos de trabalho dos mesmos, considerados como os melhores meios de aquisição das competências definidas no âmbito de cada Unidade Curricular. Ao mesmo tempo, tornam-se visíveis e valorizam-se diferentes formas de trabalho, nomeadamente as que ocorrem fora das horas de contacto entre docentes e estudantes, que são frequentemente esquecidas como trabalho escolar. A visibilidade adquirida por estes outros processos de trabalho supõe a sua integração na função de enquadramento desenvolvida pelos professores, nomeadamente através dos regimes de tutoria. A explicitação dos processos de trabalho, a que estas novas disposições obrigam, reforça a necessidade de se assumir uma diversidade de meios para atingir os objectivos da formação, num sentido adequado às competências que se pretendem desenvolver e às características dos estudantes. A organização curricular baseada em unidades de crédito associadas à quantidade de trabalho dos estudantes e nas competências a adquirir, permite critérios claros e comparáveis para efectivar os sistemas de mobilidade dos estudantes a nível europeu. Assim, a necessidade de integrar as quantidades de trabalho que os estudantes gastam nas diferentes actividades escolares, exigiu o desenvolvimento de um processo de inquérito a estudantes e professores, o que aliás é sugerido pela legislação. Deste modo, por iniciativa do Conselho Científico e do Conselho Pedagógico, criou-se um grupo de trabalho que integrava membros destes dois órgãos de gestão, com a função de organizar e realizar o inquérito sobre os processos de trabalho e sobre a quantificação do trabalho dos estudantes. A primeira tarefa deste grupo foi a inventariação dos diferentes processos de trabalho utilizados nas diferentes áreas científicas assim como com a identificação de uma série de questões que, por serem comuns a cada docente e Unidades Curriculares, melhor permitiriam uma reflexão mais alargada sobre a forma como o referido processo de inovação tem sido compreendido nesta Instituição. Neste ano e nesta fase do trabalho (uma vez que um primeiro Relatório de Execução do Processo de Bolonha fora feito em Dezembro 2009) pretendeu-se identificar as grandes alterações que, a nível científico-pedagógico, teriam sido introduzidas no decorrer da actividade lectiva. Pretendeu-se também criar para todos os Coordenadores de Curso da Escola Superior de Educação e do Instituto Politécnico de Setúbal um instrumento que fosse capaz de identificar as grandes alterações que, naquelas áreas, tinham sido feitas nos anos lectivos em que os Cursos começaram a funcionar de acordo com as novas directivas de Bolonha. Neste ano de 2009 estabeleceu-se, pela primeira vez a nível de Instituição, um único inquérito aos docentes o que permitiu obter dados mais expressivos das mudanças e fazer uma leitura mais objectiva das mudanças realmente realizadas, como se verá adiante neste Relatório. A elaboração de tal Inquérito teve diversos obstáculos a ultrapassar (dificuldade de inquirir sobre o tempo despendido em diversas actividades de formação, independentemente de uma Unidade Curricular particular e tendo em conta as especificidades de cada Curso) e teve-se um grande cuidado na máxima objectivação na elaboração das questões, de modo a ser possível quantificar da forma menos ambígua e menos abstracta possível os tempos de trabalho dos estudantes. Por isso, nalguns casos, houve necessidade de se proceder à decomposição de algumas actividades nas suas diferentes componentes. O questionário foi previamente analisado e discutido entre os diversos Coordenadores de Curso da Instituição e também com os outros docentes que integram o grupo de trabalho existente no Instituto, ou seja, com a UNIQUA. Se, na generalidade, foi possível elaborar as questões de uma forma adequada à medida dos tempos de trabalho, nalgumas actividades essa formulação foi mais difícil de ser conseguida. Tal dado sugere que, nas futuras verificações da correcção das medidas agora encontradas, tenha que se reformular parcialmente o questionário e referi-lo à experiência concreta do funcionamento das Unidades Curriculares dos novos planos de estudos. Este inquérito decorreu no mês de Novembro de 2009, tendo-se obtido 47 respostas dos docentes que leccionam no Curso. No presente ano lectivo ainda há estudantes entrados no início do processo de adequação a Bolonha que não conseguiram sair diplomados uma vez que, o cumprimento do respectivo Plano de Equivalências e de Transição lhes dificultou o cumprimento do processo de formação individual. Como se referiu já no Relatório de 2008, a aplicação dos referidos Planos de Equivalências e de Transição foi uma das tarefas mais morosas uma vez que, sendo o Curso de Comunicação Social uma Licenciatura de 5 anos antes da adequação a Bolonha, foi necessário estabelecer um conjunto de critérios e normas nem sempre aplicáveis de forma adequada, quer no global quer casuísticamente.

A maioria dos estudantes teve de realizar um semestre “extra” para cumprir todas as disposições do referido Plano de Transição. No ano lectivo 2007/2008 previa-se que acabasse esta obrigatoriedade para as(os) estudantes que estavam no 3º ano do referido Curso em naquele ano lectivo mas, como referimos, tal ainda não sucedeu.

Como se referia também no Relatório de 2008, a maioria das(os) estudantes, pelo sistema mais “linear” de realização de disciplinas anterior a Bolonha, não estava habituada a reconhecer o seu percurso como uma escolha entre diversas opções possíveis. Por tal facto, houve que mudar muitas formas de funcionamento do Curso.

As mais evidentes foram as que dizem respeito à compreensão dos princípios pedagógico/científicos e organização do Plano de Estudos, às novas formas de conceber os programas e funcionamento das diversas Unidades Curriculares (UC) e novas formas de avaliação.

Quanto aos docentes também houve alguns dados a alterar e é essa abordagem que se fará no final do presente relatório.

A passagem de um sistema em que se privilegiavam os conteúdos e em que as competências sistémicas, institucionais e de Curso eram colocadas em segundo plano tem sido também uma das maiores dificuldades encontradas ao longo da adequação do Curso de Comunicação Social ao Processo de Bolonha.


Parte B1 - Caracterização da estrutura do curso

Centrado nos aspectos teóricos e instrumentais da comunicação, o curso em Comunicação Social possibilita uma análise crítica e reflexiva/interveniente em diferentes domínios do desempenho da profissão, em sentido lato. Para cumprir este propósito, o plano de estudos foi centrado num conjunto de áreas disciplinares que possibilitam o cruzamento de perspectivas amplas, múltiplas e enriquecedoras da formação superior. De acordo com o espírito de Bolonha, aposta-se numa formatação aberta e possibilidade de escolha, favorecedora de novas abordagens pedagógicas e científicas, de modo a integrar e antecipar a realidade profissional e os desafios que lhe são inerentes.

Na procura de soluções globais e articuladas que suportem as propostas de adequação / novos cursos apresentados por esta instituição, o Conselho Científico elaborou, discutiu e aprovou uma matriz curricular para todos os cursos que estabelece as bases da organização dos planos de estudos, designadamente os limites ao número de unidades curriculares (UC) e de créditos por unidade curricular. Assim, foi decidido que os planos de estudos não tivessem mais do que 12 unidades curriculares em cada ano escolar e, cada UC deve situar-se entre os 4 e 6 créditos, já que cada unidade de crédito ECTS equivale a 27 horas de trabalho do estudante. Neste âmbito, reconhecemos o papel central que o novo conceito de Crédito assume nas transformações que se estão a desenvolver no Ensino Superior Europeu. De facto, ao centrar-se a creditação da formação na quantidade de trabalho que é pedida aos estudantes em cada Unidade Curricular, a gestão e desenvolvimento do currículo organiza-se em função dos processos de trabalho, considerados como os melhores meios de aquisição ou desenvolvimento das competências definidas no âmbito de cada Unidade Curricular. Ao mesmo tempo, tornam-se visíveis e valorizam-se diferentes formas de trabalho, nomeadamente as que ocorrem fora das horas de contacto entre professores e estudantes. A visibilidade adquirida por estes outros processos de trabalho supõe a sua integração na função de enquadramento desenvolvida pelos professores, nomeadamente através dos regimes de tutoria. A explicitação dos processos de trabalho, a que estas novas disposições obrigam, reforça a necessidade de se assumir uma diversidade de meios para atingir os objectivos da formação, num sentido adequado às competências que se pretendem desenvolver e às características dos estudantes. A organização curricular baseada em unidades de crédito associadas à quantidade de trabalho dos alunos e nas competências a adquirir, permite critérios claros e comparáveis para efectivar os sistemas de mobilidade dos estudantes a nível europeu. A estrutura do Curso de Comunicação Social pode ser descrita da seguinte forma:

Tratando-se de uma formação em ambiente de Ensino Politécnico, o ciclo de estudos conducente ao grau de licenciado proposto situa-se em 180 créditos. Mantém, de acordo com o espírito de Bolonha, uma duração máxima de seis semestres curriculares de trabalho dos estudantes. Tendo em consideração o perfil de competências do Curso de Comunicação Social, existe uma proporcionalidade respeitante à Formação Geral, Específica e Profissionalizante, repartida em Unidades Curriculares teóricas, práticas e teórico/práticas. A estrutura baseia-se em áreas de especialidade de modo a corresponder ao perfil de saída já identificado. Qualquer uma das profissões conexas e directa ou indirectamente ligadas a estes domínios não implica a obtenção de quaisquer documentos comprovativos e que funcionem como condição prévia para exercer a profissão em causa, nomeadamente através de "normas jurídicas específicas, práticas consolidadas ou requisitos profissionais excepcionais." As grandes actividades de formação podem resumir-se em leituras e preparação de testes, preparação e elaboração de trabalhos escritos, apresentações de trabalhos, preparação de outros tipos de trabalhos (exposições, oficinas, dramatizações, actividades desportivas e artísticas, etc.), utilização de recursos electrónicos para pesquisas e comunicação, execução de objectos artísticos e tecnológicos e, finalmente, os Estágios. Face ao exposto, sintetizam-se agora as ideias principais que justificam a distribuição de créditos pelas UC na Formação Geral, Específica e Profissionalizante.

No caso da área Formação Geral, e sendo partilhada pela maior parte dos cursos da ESE, definiram-se 5 créditos ECTS por cada UC com o duplo objectivo de rentabilizar recursos humanos e materiais, bem como padronizar a oferta comum à Escola. Tem um maior peso no 1º ano (5 UC) e vai reduzindo a presença ao longo do curso. Nesta área encontra-se incluída uma Opção Geral , a definir anualmente pelo Conselho Científico da ESE/IPS. Na Formação Específica terá maior relevo a UC de Seminário de Investigação e de Projecto para a qual se propõe 7 ECTS, dado que exige, da parte dos estudantes, um trabalho autónomo de pesquisa no meio, com uma articulação teórico-prática, e uma fundamentação incidindo sobre problemáticas da comunicação (empresarial, institucional, jornalístico e multimédia).

Também aqui existe uma UC optativa, de uma bolsa de seis opções específicas do Curso.

No âmbito da Formação Profissionalizante contemplam-se 4 opções a distribuir entre o 3º e o 6 semestres. À UC de Estágio foram atribuídos 10 créditos ECTS por se tratar de uma forte aposta do curso na alternância entre a formação académica e o mundo profissional, enriquecedora das opções, experiências e currículos individuais. Trata-se de um Estágio a tempo inteiro numa empresa de Comunicação Social ou entidades institucionais e associativas com a vertente de Comunicação sobre o qual se exige um produto escrito com uma reflexão individual sobre a prática havida ao longo do Estágio. Do ponto de vista formal, a estrutura do Curso adequado a Bolonha introduziu também novas abordagens quer nos conteúdos, quer na organização do currículo do Curso de Comunicação Social. Assim, do ponto de vista metodológico, a actual organização do Curso tem também em conta as competências instrumentais, interpessoais e sistémicas definidas para as Unidades Curriculares, quer sejam Gerais, Específicas ou Profissionalizantes. Em cada semestre de cada ano lectivo pretende-se que os estudantes trabalhem no sentido de desenvolver competências que, nas Unidades Curriculares gerais, visarão a compreensão e a utilização de informação proveniente de uma diversidade de textos/fontes, de complexidade variável. Os estudantes devem também mobilizar diversas literacias na compreensão de fenómenos do mundo actual, utilizando sempre um discurso científico e realizando trabalhos que reflictam a sua capacidade de identificação, análise e interpretação adequadas aos temas abordados.

Nas Unidades Curriculares Específicas os estudantes trabalham de forma a compreender a necessidade de desenvolvimento pessoal e profissional numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida assim como identificam e conhecem bem as diversas vertentes de que se pode revestir a sua área de trabalho principal sem descurar a reflexão sobre as vantagens de uma formação polivalente.

Quanto aos dois Ramos - o de Comunicação Cultural e Jornalismo - estes apresentam idêntico número de créditos das Unidades Curriculares em cada Ramo. Desde sempre se previu a possibilidade de, caso os estudantes assim o queiram, frequentarem os dois Ramos, saindo depois com uma licenciatura com dupla saída (um deles realizado no sistema de Suplemento ao Diploma).

De uma forma mais sucinta esquematiza-se a estrutura do Curso que é a seguinte:

 

Comunicação Social - 1º Ciclo de estudos na área
180 créditos
Seis semestres
Dois Ramos: Comunicação Cultural e Jornalismo

 

De uma forma mais resumida e esquemática, a distribuição das Unidades Curriculares pelos diversos semestres é a seguinte:

Semestres

Distribuição de Unidades Curriculares
1º e 2º

UC de carácter geral:
Língua e Prática Textual
Artes Performativas
Educação para os Media e Gestão da Informação
Teorias do Jornalismo
Antropologia Cultural
História dos Media
Actualidade nos Media
Teoria da Imagem
Comunicação Empresarial
Contextos Profissionais
+
1 Unidade Curricular de Opção (escolha entre todas as ofertas da ESE/IPS)
+
1 UC da Carteira de Literacias (Tecnologias e Comunicação ou Língua EstrangeiraInglês (B1/B2) ou Francês (B1) ou Matemática, Cultura e Realidade ou Ciência, Tecnologia e Sociedade
+
Carteira de Competências (realização de 1 crédito)
3º e 4º
UC gerais:
História Contemporânea e Cidadania
Teoria e Modelos da Comunicação
Comunicação Interpessoal
Matemática para a Comunicação Social
Sociologia da Comunicação
+
1 Opção Específica (apenas 1 das seguintes UC):
Língua Estrangeira 2 ou Comunicação e Património Literário ou Género e Media ou Língua e Comunicação Profissional ou Técnicas de Som ou Animação de Públicos
+
2 UC obrigatórias para cada um dos Ramos:
Ramo Jornalismo:
Géneros Jornalísticos + Produção de Texto Jornalístico
Ramo Comunicação Cultural:
Indústrias Culturais + Marketing Cultural
+
2 UC Profissionalizantes (a escolher de entre as seguintes):
Temas Actuais em Ciência e Tecnologia
Evolução das Ideias em Ciência
Da Produção Científica à Comunicação Científica
Fotografia
Produção de Conteúdos Multimédia
Guionismo
Cinema e Televisão
Produção Audiovisual
Artes Gráficas
+
Carteira de Competências (realização de 2 créditos)
5º e 6º
UC gerais:
Economia, Gestão e Empreendedorismo
Ética e Deontologia Profissional
Discurso dos Media
Retórica e Argumentação
Seminário de Investigação e de Projecto
Estágio
+
2 UC obrigatórias para cada um dos Ramos:
Ramo Jornalismo:
Fotojornalismo + Jornalismo Radiofónico
Ramo Comunicação Cultural:
Produção e Promoção Cultural + Relações Públicas e Publicidade
+
2 UC Profissionalizantes (a escolher de entre as seguintes, diferentes das realizadas nos 3º e 4º semestres):
Temas Actuais em Ciência e Tecnologia
Evolução das Ideias em Ciência
Da Produção Científica à Comunicação Científica
Fotografia
Produção de Conteúdos Multimédia
Guionismo
Cinema e Televisão
Produção Audiovisual
Artes Gráficas
+
Carteira de Competências (realização de 2 créditos)

 

No que diz respeito aos cursos de referência no espaço europeu continuamos a ter como exemplares as experiências curriculares do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade de Bolonha, se bem que não nos seja possível oferecer as quatro possibilidades de currículo ali existentes. Embora ao nível dos conteúdos não se identifique uma semelhança assinalável, é sobretudo na arrumação formal que a referida licenciatura serve de orientação (cf. http://www.unibo.it/Portale/default.htm). A Universidade Autónoma de Barcelona serve-nos de referência para as áreas de Formação Geral – transversal aos vários cursos da área e UC de Formação Específica e Profissionalizante O Curso está organizado em torno da obtenção de créditos distribuídos entre Obrigatórios, Optativos e de Livre Eleição (cf. http://www.uab.es) Na organização do actual Ciclo de Estudos foram incorporadas algumas sugestões que decorreram de um Relatório de Auto-Avaliação do Curso de Licenciatura Bi-etápica em Comunicação Social (2001) e de um Relatório de Avaliação Externa por parte da Comissão de Avaliação na área da Comunicação e Informação (2001-2002), presidida pelo Prof. Doutor José Manuel Paquete de Oliveira. Dessas indicações foi absolutamente impossível, por falta de verbas, renovar muito do equipamento da área de audiovisuais. O acesso à rede sem fios e à Plataforma Moodle são duas áreas em que se investiu muito no último ano, quer para pesquisa autónoma quer para pesquisa e produção de trabalhos para avaliação nas diversas UC, assim como para contacto a distância entre docentes e apoio a estudantes. A criação de regulamentos para certas UC (como Estágio ou Carteira de Competências) pode ser vista como uma mais-valia na organização e funcionamento do Curso. Para finalizar, muitas das actividades das diversas UC (independentemente das áreas a que pertencem), são realizadas com recurso permanente à Plataforma Moodle, local onde estão também todos os programas e Ficha de UC. Duas Unidades Curriculares já referidas são agora objecto de análise nesta breve caracterização do Curso, a saber, a Carteira de Literacias e a UC Carteira de Competências/o sistema de apoio tutorial da ESE – SISTESE.

A Carteira de Literacias tem como objectivo, como consta do documento legal, desenvolver capacidades que as(os) estudantes, de forma transversal, deverão utilizar no futuro profissional. A escolha de uma das UC que compõem está área deve ser feita pelas(os) estudantes, após orientação do(a) respectivo(a) tutor(a). No ano 2008 e 2009 as(os) estudantes tiveram como tutores, no Curso de Comunicação Social, um grupo diversificado de 11 docentes. A escolha dos mesmos foi feita de forma que temos de melhorar no futuro uma vez que, casos houve, em que as(os) tutorandas(os) tiveram imensas dificuldades em articular o seu trabalho com o das(os) respectivas(os) tutoras(es). A distribuição dos estudantes pelas UC da Carteira de Literacias que cada estudante deveria frequentar foi realizada pela coordenação de Curso depois de todo um trabalho de coordenação com a vice-presidência do Conselho Directivo e com as outras coordenações de Curso da ESE. Este trabalho em equipa, realizado pela primeira vez em 2008 e continuado em 2009 foi fundamental para respeitar as preferências que os estudantes manifestaram junto da Coordenação de Curso, para distribuir equitativamente todos os estudantes pelas diversas UC e para os consciencializar para a necessidade de identificar áreas em que se sentem menos competentes e as formas de ultrapassar essas insuficiências.

A UC Carteira de Competências, de funcionamento trianual, foi a que mais problemas produziu no ano lectivo a que se reporta este Relatório. Ainda há muitos estudantes do Processo de Transição que não foram capazes de finalizar os seus percursos e, por outro lado, a maioria dos estudantes que já iniciaram o seu processo de formação no sistema adequado ao processo de Bolonha investe menos nesta UC uma vez que a não existência de actividades lectivas presenciais e uma maior autonomia na definição dos percursos a realizar os leva a descurar o trabalho e a investir menos numa produção constante e vocacionada para a superação de falhas de formação. Os tutores também dão melhor e mais apoio tutorial aos estudantes em fim de curso do que aos estudantes dos 1º e 2º anos. Ao observar as pautas finais e provisórias de avaliação dos dois anos, nesta UC, facilmente se conclui que o 3º ano teve mais sucesso do que o 1º. Em relação a este ano, mais de dois terços dos(as) estudantes não atingiram as metas que haviam sido definidas. O funcionamento do SISTESE não é posto em causa pelas(os) estudantes mas verifica-se que é a área onde há que trabalhar mais para que sejam mais satisfatórios os níveis de concretização dos objectivos. No presente ano, a enorme oferta de UC Específicas e Profissionalizantes, a diversidade de Ramos e a distribuição das UC por semestre (nos anos lectivos anteriores responsáveis por horários de estudantes com diversas interrupções ao longo do dia) não criou quaisquer problemas na construção dos horários uma vez que, as Coordenações de Curso e o Conselho Directivo decidiram elaborar um conjunto de regras de frequência e distribuição das UC que permitiu horários mais equilibrados e compactados (horários específicos e simultâneos para as Opções Gerais; horários simultâneos para várias Opções Específicas e para as Profissionalizantes; distribuição adequada das UC por semestres...). A actual estrutura do Curso de Comunicação Social e de funcionamento do mesmo não foi objecto de qualquer crítica negativa por parte quer de docentes quer de estudantes.

 

Tabela 1 - Distribuição de horas de trabalho

UCTipo de Aula Horas ContactoSemestreECTSHoras Totais
TTPLTCSOTEO
CS10007 - Actualidade nos Media 40 20 - - - 9 - - 69S5135
CS20018 - Animação de Públicos 5 37 26 - - 6 - - 74S5135
CS10006 - Antropologia Cultural 40 25 - 15 - 8 - 15 103S5135
CS20021 - Artes Gráficas 15 15 15 - - 15 - - 60S5135
CS10009 - Artes Performativas - 39 9 - - 16 - - 64S5135
CS30004 - Carteira de Competências 6 9 - - - 12 - - 27S5135
CS20008 - Ciberculturas 40 20 - - - 9 - - 69S4108
CS20002 - Ciência e Teoria Política 35 40 - - - 8 - 2 85S4108
CS20026 - Cinema e Televisão 20 20 - 15 - 9 - - 64S5135
CS20014 - Comunicação e Património Literário 40 20 - - - 10 - - 70S5135
CS10005 - Comunicação Empresarial - 52 - - - 9 - - 61S5135
CS20007 - Comunicação Interpessoal 40 10 10 - - - - - 60S4108
CS10004 - Contextos Profissionais 10 20 - 15 - 15 - - 60S5135
CS20025 - Da Produção Científica à Comunicação Científica 10 60 - - - 10 - - 80S5135
CS30005 - Discurso dos Media - 55 - - - 5 - - 60S4108
CS30003 - Economia, Gestão e Empreendedorismo 30 30 - - - 10 - 2 72S5135
CS10003 - Educação para os Media e Gestão da Informação 10 30 - - - 20 - - 10s5135
CS10003 - Educação para os Media e Gestão da Informação 10 30 - - - 20 - - 50S5135
CS30007 - Estágio 30 10 - - - 20 - - 60S10270
CS30002 - Ética e Deontologia Profissional 40 26 - - - 9 - - 75S5135
CS20019 - Evolução das Ideias em Ciência 20 30 - - 12 8 - - 70S5135
CS20022 - Fotografia 10 15 15 - - 15 - - 55S5135
CSJ30011 - Fotojornalismo 10 25 30 10 - 15 - - 90S5135
CS20015 - Género e Media - - - - 40 - - - 40S5135
CSJ20011 - Géneros Jornalísticos - 40 - 10 5 15 - - 70S5135
CS20024 - Guionismo 20 25 15 15 - 9 - - 84S5135
CS20001 - História Contemporânea e Cidadania 30 25 - 5 - 7 - 4 71S5135
CS10001 - História dos Media 10 20 - - - 30 - - 60S5135
CSCC20009 - Indústrias Culturais 40 20 - - - - - - 60S5135
CSJ30010 - Jornalismo Radiofónico 15 15 30 - - - - - 60S5135
CS20016 - Língua e Comunicação Profissional 20 20 - - 10 10 - - 60S5135
CS10011 - Língua e Prática Textual 15 35 - - - - - - 50S5135
CS20013 - Língua Estrangeira 2 - 45 - - - 30 - - 75S5135
CS20028 - Língua Estrangeira 2 - Francês B1 - 45 - - - 30 - - 75S5135
CS20029 - Língua Estrangeira 2 - Inglês B1 45 - - - - 30 - - 75S5135
CS20030 - Língua Estrangeira 2 - Inglês B2 - 45 - - - 30 - - 75S5135
CS20006 - Linguagens do Audiovisual 20 25 - 15 - 9 - - 69S4108
CSCC20010 - Marketing Cultural - 52 - - - 9 - - 61S5135
CS20005 - Matemática para a Comunicação Social 23 35 - - - 10 - - 68S4108
CS20027 - Produção Audiovisual 20 25 15 15 - - - - 75S5135
CS20020 - Produção de Conteúdos Multimédia 10 - 45 - - 5 - - 60S5135
CSJ20012 - Produção do Texto Jornalístico 15 15 30 - - - - - 60S5135
CSCC30009 - Produção e Promoção Cultural - 52 - - - 9 - - 61S5135
CSCC30008 - Relações Públicas e Publicidade 19 - 45 - - - - - 64S5135
CS30006 - Retórica e Argumentação 30 10 - - - 20 - - 60S4108
CS30001 - Seminário de Investigação e Projeto de Comunicação 20 35 - - 10 10 - - 75S7189
CS20003 - Sociologia da Comunicação 30 35 - - - 8 - 2 75S5135
CS20017 - Técnicas de Som 15 15 30 - - - - - 60S5135
CS20023 - Temas Atuais em Ciência e Tecnologia 20 30 - - 12 8 - - 70S5135
CS10008 - Teoria da Imagem 45 20 - - 9 12 - - 86S5135
CS20004 - Teoria e Modelos da Comunicação 40 20 - - - 9 - - 69S5135
CS10010 - Teorias do Jornalismo 40 20 - - - - - - 60S5135

Tabela 2 - Dados comparativos com cursos de referência

Área CientíficaUnidade Curricular
Matemática6
Ciências da Natureza4
Ciências Sociais1
Línguas e Literaturas1
Ciências da Comunicação8
Tecnologias de Informação e Comunicação2
Línguas e Literatura9
Ciências Sociais12
Ciências da Comunicação57

Parte B2 - Caracterização dos estudantes à entrada

De 2007 para 2008 deparamos com uma diminuição de entradas de estudantes relativamente ao ano anterior em três localidades do Distrito (Seixal, Montijo e Moita). Houve um aumento de entradas de estudantes provenientes do distrito ou de zonas limítrofes (Lisboa, Almada e Setúbal).

Por Distrito, assiste-se a uma diminuição de seis entradas em Setúbal e de três em Faro. Quanto às entradas de estudantes provenientes do regime de acesso geral ao Ensino Superior, colocados na sua maioria em primeira fase, verifica-se uma diminuição de seis entradas em 2008/2009 relativamente ao ano anterior e o mesmo se observa em relação às entradas pelo concurso de "maiores de 23 anos".

Ao abrigo dos acordos existentes com os PALOP entraram dois estudantes, sendo que em 2007/2008 não tinham sido preenchidas estas vagas.

Em 2008/2009 não houve qualquer entrada através de reingresso.

Houve uma transferência de uma estudante vinda da Universidade do Minho.

Regista-se uma diminuição do número de estudantes colocados (de 47 em 2007/2008 para 41 em 2008/2009, num total de menos seis); no entanto, verifica-se uma melhoria na média de candidatura do último candidato colocado assim como na média das médias.

Em 2008/2009 houve uma ligeira subida das médias de acesso, sendo os intervalos entre 13 e 14 valores aqueles em que mais candidatos se situam.

Em primeira opção verifica-se uma subida muito acentuada, em 2008/2009, relativamente ao ano anterior. Na 2ª opção regista-se igualmente uma subida. Em última opção não houve quaisquer entradas de estudantes, contrariamente ao número acentuado, nesta opção, que se verificava no ano lectivo 2007/2008.

Em 2008/2009 assiste-se a um aumento do número de estudantes efectivamente matriculados em relação ao ano anterior, originários do regime de acesso ao Ensino Superior. Nos restantes regimes (Mudança de Curso+ Transferência; Concursos Especiais e Reingresso) houve uma diminuição nesta área.

Tabela 3 - Proveniência dos estudantes por Concelho

CONCELHONúmero de Admitido (CNA)
200820072006
Outros---

CNA - Cuncurso Nacional de Acesso

Tabela 4 - Proveniência dos estudantes por Distrito

DISTRITONúmero de Admitido (CNA)
200820072006
Outros---

CNA - Cuncurso Nacional de Acesso

Tabela 5 - Ocupação de vagas, por fase do regime geral e por regime

Regime de ingressoAno lectivoNº de alunos matriculados%
CE 2008/0900
2007/0811.67
2006/0700
CEM 2008/0923.85
2007/0811.67
2006/0700
CEM23 2008/0959.62
2007/08711.67
2006/0700
COG 2008/09 Fase 1 3363,46
Fase 2611,54
Fase 300
Fase Ind. 00.0
2007/08 Fase 1 3965
Fase 2711,67
Fase 300
Fase Ind. -4-6.67
2006/0700
MC 2008/0923.85
2007/0835.0
2006/0700
PALOP 2008/0923.85
2007/0800
2006/0700
R 2008/0900
2007/0811.67
2006/0700
RE 2008/0900
2007/0823.33
2006/0700
T 2008/0911.92
2007/0800
2006/0700
TCI 2008/0900
2007/0835.0
2006/0700
TCS 2008/0911.92
2007/0800
2006/0700

Tabela 6 - Estatísticas de ingresso

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Gráfico 1 - Ocupação de vagas e 1ª Opção

Tabela 7 - Evolução da distribuição das notas de acesso

MediasNumero De Candidatos
200820072006

Tabela 8 - Modalidades de ingresso

Regime de ingressoAno lectivoNº de estudantes matriculados%
CE 2008/0911.92
2007/08110.0
2006/0700
GIES 2008/094382.69
2007/0845450.0
2006/0700
MC+T 2008/0935.77
2007/08330.0
2006/0700
R 2008/0900
2007/08110.0
2006/0700

Legenda:
CE - Concursos Especiais (Bachareis, Titulares de cursos superiores, médios e pós-secundarios, Estudantes de sistemas de ensino superior estrangeiro(não se inclui ERASMUS))
GIES - Regimes de ingresso via GIES (Gabinete de ingresso no ensino superior)
MC+T- Mudanças de curso e Transferências
R - Reingressos

Gráfico 2 - Modalidades de ingresso

Parte B3 - Caracterização genérica dos estudantes

No ano lectivo 2008/2009 encontram-se inscritos 47 estudantes no 1º ano (28,31%), 46 no 2º ano (27,71%) e 73 no 3º ano (43,98%). Neste último ano do Curso existe um número excepcional de estudantes uma vez que corresponde ao 3º ano efectivo do Curso e ao 3º ano de transição para Bolonha.


Tabela 9 - Estudantes inscritos

Ano Curricular200820072006
1º Ano4728,31%4397,73%00%
2º Ano4627,71%12,27%00%
3º Ano7343,98%00%00%
Total166440

Parte B4 - Caracterização da Mobilidade Internacional

Nos últimos três anos o Instituto Politécnico de Setúbal tem vindo a fazer um trabalho de coordenação da mobilidade estudantil entre as suas Unidades Orgânicas. Esse esforço foi levado a cabo através da centralização, num sector específico – o CIMOB – da maior parte das tarefas de organização dos processos de saída/entrada de estudantes que integram aqueles programas.

Algumas das acções realizadas pretendem reflectir sobre a importância da mobilidade e sobre as formas possíveis de a aumentar.

De diversos pontos de vista, a mobilidade promove o desenvolvimento de diversas competências que, nem sempre, os estudantes identificam como sendo fundamentais para o seu percurso pessoal, académico e, sobretudo, profissional. A melhoria nos métodos de estudo, o aumento da fluência numa outra língua que não a sua materna, a capacidade de identificação e resolução de inúmeros problemas que têm de resolver, assim como a vivência em meios académicos e familiares muito diversos daqueles que são os seus em contexto nacional são algumas das vantagens que se identificam como fundamentais para os estudantes que seguem um programa deste tipo.

Desde 2006/2007 o aumento da mobilidade tem sido uma das maiores apostas da Coordenação de Curso mas, como se verá adiante neste capítulo, nem sempre as condições reais têm sido as mais favoráveis ao desenvolvimento desta área.

Os dados internacionais apontam para que a mobilidade deva ser aumentada de forma a que, em 2020, ela atinja 20% dos diplomados em instituições de Ensino Superior europeias (Lovaina, 2009).

A nível interno, como consta do Programa Estratégico e Desenvolvimento do Instituto Politécnico de Setúbal (PEDIPS, 2007-2011), a aposta na saída/entrada de estudantes é inequívoca uma vez que ali se aponta para que se atinja, até 2011, um aumento de 2.5% de mobilidade. O mesmo se verifica no Orçamento de 2009 uma vez que as verbas canalizadas para esta área tiveram uma visibilidade acentuada. Neste momento o IPS está a definir um critério de apoio à mobilidade que contemplará com mais verbas a(s) Unidade(s) Orgânica(s) que melhor desempenho mostrem na promoção da mobilidade estudantil e docente.

Antes de apresentar e reflectir sobre os dados da mobilidade relativos ao período a que respeita este Relatório (e para que aqueles melhor se percebam) há que apresentar um conjunto de questões que se colocam e que ajudam a explicar o processo e os resultados da mobilidade estudantil em 2009.

Tal como aconteceu nos dois anos anteriores, os estudantes desta Unidade Orgânica apresentam um estatuto económico-social para quem um processo de mobilidade no estrangeiro se apresenta como uma dificuldade. Muitas vezes ela é entendida como um suplemento que agrava o orçamento que muitas famílias não têm já sequer para o cumprimento das mais básicas formalidades de frequência do Ensino Superior e que englobam as propinas, alojamento (em casos de deslocação familiar), alimentação e despesas de diversa índole a que um estudante tem que fazer face.

Um dos problemas que o Curso de Comunicação Social teve de enfrentar no ano lectivo a que se reporta o presente Relatório tem a ver com as enormes dificuldades que os estudantes tiveram para honrar o compromisso financeiro de propinas. Em Maio de 2009 havia um total de 37 estudantes com pagamentos em atraso correspondendo a mais de 17 mil euros. Este dado mostra como o investimento na formação académica realizado pelos estudantes também foi penalizada uma vez que, não havendo capacidade para responder ao mais básico compromisso com a Instituição, muito mais difícil seria o investimento na mobilidade europeia.

Apesar das bolsas e do apoio que o IPS tem vindo a prestar, nem sempre os estudantes vêem algum esforço de participação em projectos de mobilidade como um dado facilitador da sua futura inserção no mercado de trabalho. Por outro lado, a nível social e nacional, há ainda memória de tempos anteriores a este processo em que muitos estudantes, depois de saírem, eram penalizados no regresso por falta de compreensão dos mecanismos de equivalências então em vigor.

Um factor geralmente omisso nestas reflexões é o do peso cultural que, em Portugal e em certos estratos sociais, ainda tem a saída de casa para estudar em local diverso do da morada de família no mesmo país ou noutro que implique separação e desenraizamento mais prolongado do ambiente familiar.

Ao longo dos últimos anos tem tido preocupação do IPS o apoio a iniciativas de procura de novos Acordos Bilaterais de mobilidade mas, no ano de 2009 e, por diversos motivos, não foi possível aumentar o número de instituições estrangeiras/parceiras para promoção de saídas de estudantes. Uma das explicações é o facto de que, internamente, foi necessário atender a muitas urgências que se prendem com a concretização de todos os dados sobre o Processo de Bolonha e este não foi desenvolvido por ser difícil aplicar uma série de aspectos científico-pedagógicos e organizativos novos que não se compadecem com o tempo que é necessário despender para criar laços com cursos afins na área, no estrangeiro, assim como com a definição de perfis de saída semelhantes.

Um dos factores que se tem identificado como um obstáculo à realização de mais processos de mobilidade, no caso nacional e no que se refere à atracção de estudantes estrangeiros que pretendam realizar um período de formação no país, é o domínio da língua portuguesa que, mesmo para países mais próximos da mesma raiz latina, se afigura como algo que dificulta a total inclusão no IPS. Uma das soluções que já foi ensaiada (com enorme êxito) por uma das Unidades Orgânicas foi a da criação de turmas ditas internacionais em que docentes e estudantes usam a língua inglesa como base de trabalho.

Realizar um Guia da Mobilidade acessível em linha e traduzir os Programas das Unidades Curriculares não é suficiente para que se verifique um aumento das entradas na ESE. O ideal seria que se organizasse um Módulo Internacional (englobando diversas UC de diversos Cursos envolvidos) em que docentes e estudantes pudessem (a exemplo do que se faz já em inúmeras instituições de ensino superior no nosso país) utilizar uma língua de trabalho da União Europeia como forma de comunicação verbal. Contribuir para que tal se realize, é um dos escopos da actual Coordenação de Curso de Comunicação Social.

Outro factor que tem sido apontado pelos estudantes como entrave ao incremento da mobilidade em certos Cursos é o facto de as respectivas Coordenações mostrarem alguma dificuldade de abertura a essas iniciativas. No caso do Curso de Comunicação Social, quer na Coordenação anterior que na actual, este não tem sido, por diversas razões, um aspecto negativo referenciado.

Em 2009, mais uma vez, a colaboração entre a Coordenação de Curso e a representação do programa CIMOB na ESE foi estreita uma vez que, esta última, esteve a cargo de uma das docentes do Departamento de Comunicação e docente no Curso em causa.

Neste Curso há uma atitude favorável de apoio à mobilidade até porque a insistência no desenvolvimento de competências é um dos objectivos do Curso e da Unidade Curricular específica com essa mesma designação.

A tarefa de reconhecimento de competências desenvolvidas com as entradas/saídas de estudantes tem sido facilitada quer pela existência do CIMOB e a Coordenação, em cada Unidade Orgânica, de um docente e quer pela existência de um Regulamento da Mobilidade para o IPS (RMI-IPS), disponível em linha e que pode ser consultado por qualquer dos intervenientes no referido processo.

A Coordenação do Curso de Comunicação Social considera que, além dos mecanismos já existentes, seria interessante que se criasse um Regulamento Pedagógico da Mobilidade uma vez que, dessa forma, seria possível agir sempre da mesma maneira quando esteja em causa o reconhecimento académico das mesmas UC’s em anos diferentes, mesmo que realizadas em instituições diversas.

No ano de 2009, no IPS, saíram 38 estudantes em processo de mobilidade, número que sofreu um decréscimo no presente ano lectivo de 2009/2010 em que apenas se espera que saiam 32 estudantes.

De 12 saídas em 2007/2008 passou-se para apenas 1 em 2008/2009 e não se prevê nenhuma neste já iniciado ano lectivo de 2009/2010. Apesar destes números muito aquém do que a Coordenação de Curso deseja, este foi o segundo Curso que maior número de estudantes da ESE enviou para mobilidade no estrangeiro (o primeiro é o Curso de Animação e Intervenção Sócio-Cultural).

Em 2008/2009 mais estudantes estiveram previstos para ir para as duas Universidades do País Basco com quem existem Acordos Bilaterais mas, motivos de ordem externa (como os constantes alarmes na imprensa nacional sobre os atentados bombistas na zona e a tradição de medo que acarretam), impossibilitaram a realização de tais trocas.

Quanto ao número de entradas de estudantes estrangeiros ao abrigo deste Programa, depara-se com 2 em 2007/2008, três em 2008/2009 e número igual em 2009/2010.

Dos sete Acordos Bilaterais que existem entre a ESE e instituições de Ensino Superior estrangeiras para onde/de onde se enviam/se recebem estudantes, apenas quatro foram usadas desde 2007/2008 e dois novos acordos foram celebrados desde essa data.

A participação de estudantes de Comunicação Social nas actividades da Semana da Mobilidade, realizada anualmente no IPS, tem o apoio de inúmeros estudantes do referido Curso mais enquanto forma de obter créditos para a Unidade Curricular de Carteira de Competências do que como forma de intervenção activa nas questões da organização, divulgação e participação na mobilidade.

Para aumentar o número de estudantes abrangidos pelo Programa de Mobilidade do IPS, sobretudo no campo das saídas, a Coordenação de Curso pretende implementar diversas medidas, ao longo do ano lectivo de 2009/2010, a saber:


Tabela 10 - Estudantes em Mobilidade

Não existem dados disponíveis! Não foi possível encontrar dados que satisfaçam os criterios especificados. Reformule os criterios

Gráfico 3 - Estudantes em Mobilidade

Parte C - CARACTERIZAÇÃO DAS MUDANÇAS INTRODUZIDAS A NÍVEL DAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS

Tabela 11 - Resposta ao inquérito aos docentes

2006 / 2007
2007 / 2008
2008 / 2009
Respostas ao Inquérito
0
0
68%


Tendo em conta o reduzido tempo de que os docentes dispuseram para responder ao Inquérito que ora se analisa, verifica-se uma quantidade assinalável de respostas (68%), quer da parte de docentes directamente ligados ao Curso quer em relação àqueles que, tendo a sua carga horária mais forte noutros Cursos, também leccionam algumas Unidades Curriculares deste Curso.


Tabela 12 - Elementos que integram o programa da unidade curricular

 
Sim
Não
Ñ Resp
Total
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
Aprendizagens esperadas
45
95,7%
0
0,0%
2
4,3%
47
100%
Avaliação
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Bibliografia
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Competências a desenvolver
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Conteúdos
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Introdução
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Metodologia
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Número de créditos (ECTS)
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Nº horas de contacto por tipo de trabalho
43
91,5%
1
2,1%
3
6,4%
47
Nº horas de trabalho autónomo por tipo de trabalho
39
83,0%
5
10,6%
3
6,4%
47
Número total de horas
47
100,0%
0
0,0%
0
0,0%
47
Objectivos
35
74,5%
7
14,9%
5
10,6%
47
Competências Formação específica
36
76,6%
6
12,8%
5
10,6%
47
Competências Formação geral/transversal
38
80,9%
8
17,0%
1
2,1%
47
Competências Formação profissionalizante
28
59,6%
11
23,4%
8
17,0%
47


Em relação à identificação dos elementos que integram agora os Programas das UC verifica-se que houve poucas mudanças em relação aos dados que estavam presentes nos Programas das disciplinas anteriores ao Processo de Bolonha. Este aspecto que, numa primeira leitura, pode parecer negativo não o é uma vez que, nesta Instituição, antes e depois de Bolonha todos os programas das UC costumavam integrar já uma série de dados que em muitos locais só após Bolonha começaram a integrar os referidos Programas.

Na esmagadora maioria dos programas (já existiam e continuam a ser enumerados) os seguintes dados: Metodologia, Introdução explicativa dos objectivos e fins da UC, conteúdos, competências a desenvolver, Bibliografia, avaliação, assim como o número total de horas e o número de créditos.

Alguns dados apenas forma introduzidos nos programas após o processo de Bolonha. Estão neste grupo: as competências de formação profissionalizante, as competências de formação específica, as competências de formação transversal, o número de horas de trabalho autónomo por tipo de trabalho e o número de horas de contacto por tipo de trabalho.


Tabela 13 - Mudanças na utilização das actividades relativamente à situação anterior a Bolonha

 
Nunca usei
ContUsar
DeixUsar
PassUsar
Ñ Resp
Total
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
Aulas expositivas c/ exemplos da realidade
1
2,1%
30
63,8%
0
0,0%
0
0,0%
16
34,0%
47
100%
Aulas expositivas c/ temas para debate
2
4,3%
28
59,6%
0
0,0%
0
0,0%
17
36,2%
47
Aulas expositivas c/ meios audiovisuais
1
2,1%
30
63,8%
0
0,0%
0
0,0%
16
34,0%
47
Aulas expositivas dos conteúdos
7
14,9%
23
48,9%
0
0,0%
0
0,0%
17
36,2%
47
Aulas expositivas interact c/estudantes
3
6,4%
26
55,3%
0
0,0%
0
0,0%
18
38,3%
47
Comunic c/prof/colegas-Correio Elec
0
0,0%
31
66,0%
0
0,0%
1
2,1%
15
31,9%
47
Comunicação oral dos estudantes
1
2,1%
29
61,7%
0
0,0%
0
0,0%
17
36,2%
47
Discussão orientada temas c/análise doc.
3
6,4%
25
53,2%
0
0,0%
0
0,0%
19
40,4%
47
Estudos de caso
13
27,7%
10
21,3%
0
0,0%
0
0,0%
24
51,1%
47
Exercícios de aplicação
5
10,6%
19
40,4%
0
0,0%
0
0,0%
23
48,9%
47
Interv fóruns discussão on-line/chats
14
29,8%
10
21,3%
0
0,0%
2
4,3%
21
44,7%
47
Orientação tutória
3
6,4%
20
42,6%
0
0,0%
4
8,5%
20
42,6%
47
Participação em Seminários /Conferências
6
12,8%
16
34,0%
0
0,0%
4
8,5%
21
44,7%
47
Pesquisa/recolha de informação on-line
1
2,1%
29
61,7%
0
0,0%
0
0,0%
17
36,2%
47
Prática simulada
15
31,9%
6
12,8%
0
0,0%
0
0,0%
26
55,3%
47
Realização activ Estágio pelos estudantes
14
29,8%
5
10,6%
0
0,0%
0
0,0%
28
59,6%
47
Realiz.projectos de investigação/acção
13
27,7%
10
21,3%
0
0,0%
0
0,0%
24
51,1%
47
Resolução de problemas
9
19,1%
15
31,9%
0
0,0%
0
0,0%
23
48,9%
47
Supervisão activ Estágio pelo docente
14
29,8%
5
10,6%
0
0,0%
0
0,0%
28
59,6%
47
Trabalho de campo
8
17,0%
15
31,9%
0
0,0%
2
4,3%
22
46,8%
47
Trabalho de Projecto
11
23,4%
12
25,5%
1
2,1%
0
0,0%
23
48,9%
47
Trabalhos Práticos/Laborat/Const/Prod
9
19,1%
18
38,3%
0
0,0%
0
0,0%
20
42,6%
47
Visitas de estudo
8
17,0%
14
29,8%
1
2,1%
3
6,4%
21
44,7%
47


A lista de actividades utilizadas em 2008/2009 na Unidade Curricular é muito diversificada sendo referidas as seguintes (por ordem de % de utilização): aulas expositivas com recurso a meios audiovisuais; comunicação estudantes/professores/colegas através de correio electrónico, aulas expositivas com exemplos da realidade, comunicações orais dos estudantes, aulas expositivas interactivas (com estudantes), pesquisa e recolha de informação on-line, discussão orientada sobre temas com recurso a documentação vária, aulas expositivas com temas para debate, aulas expositivas dos conteúdos, exercícios de aplicação e trabalhos práticos.

Comparando as actividades realizadas antes e após a introdução do processo de Bolonha verifica-se que os docentes identificam um conjunto que já utilizavam e que continuaram a usar. Estão neste grupo a pesquisa/recolha de informação on-line, a comunicação entre docentes e entre estes e estudantes através de correio electrónico, a participação em seminários e conferências, a orientação tutorial individual, o trabalho de campo, as visitas de estudo, os trabalhos práticos quer laboratoriais quer de produção de documentos, a resolução de problemas, exercícios de aplicação, a comunicação oral com estudantes, a discussão orientada de temas com análise documental, as aulas expositivas com recurso a meios audiovisuais, as aulas expositivas com ligação a temas para debate e com exemplos da realidade, as aulas expositivas com interacção com estudantes e as aulas expositivas de conteúdos teóricos.

Também foram diversos os docentes que passaram a usar algumas actividades em aulas que antes nunca tinham usado. Neste grupo estão: estudos de caso, prática simulada, intervenção em fóruns de discussão on-line e chats, a supervisão de actividades de Estágio por parte do docente, a realização de projectos de investigação-acção e trabalho de campo e de projecto.

Visitas de estudo e trabalho de projecto são mencionadas com actividades abandonadas depois de Bolonha mas apenas em dois casos (um para cada aspecto).


Tabela 14 - Mudanças na utilização dos elementos de avaliação individual relativamente à situação anterior a Bolonha

 
Nunca usei
ContUsar
DeixUsar
PassUsar
Ñ Resp
Total
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
Apresentação oral de trabalhos
1
3,3%
27
90,0%
1
3,3%
0
0,0%
1
3,3%
30
100%
Auto-avaliação pelos estudantes
11
36,7%
11
36,7%
0
0,0%
1
3,3%
7
23,3%
30
Avaliação inter-pares
13
43,3%
5
16,7%
0
0,0%
1
3,3%
11
36,7%
30
Desempenho activ práticas
6
20,0%
21
70,0%
0
0,0%
0
0,0%
3
10,0%
30
Particip estudantes activ aulas
0
0,0%
28
93,3%
0
0,0%
0
0,0%
2
6,7%
30
Produção materiais modelos objectos
9
30,0%
17
56,7%
0
0,0%
0
0,0%
4
13,3%
30
Produções escritas
3
10,0%
24
80,0%
0
0,0%
1
3,3%
2
6,7%
30
Projectos de Investigação/Acção
13
43,3%
7
23,3%
0
0,0%
0
0,0%
10
33,3%
30
Relatórios activ exper/práticas
10
33,3%
14
46,7%
0
0,0%
0
0,0%
6
20,0%
30
Relatórios de estágio
14
46,7%
4
13,3%
0
0,0%
0
0,0%
12
40,0%
30
Testes avaliação de conhecimentos
7
23,3%
20
66,7%
1
3,3%
0
0,0%
2
6,7%
30
Testes avaliação de conhecimentos e s/ aplicação
12
40,0%
12
40,0%
0
0,0%
1
3,3%
5
16,7%
30


Como elementos/forma de avaliação individual a maioria dos docentes continuou a usar muitos dos instrumentos que já usava antes do processo de Bolonha. Neste grupo incluem-se: a produção de materiais, modelos ou objectos; a apresentação oral de trabalhos, a participação (contabilizada) dos estudantes nas actividades das aulas, os projectos de investigação-acção, relatórios de Estágio, produções escritas individuais realizada em sala de aula, relatórios de actividades experimentais/práticas, desempenho das actividades práticas, avaliação inter-pares, auto-avaliação realizada pelos estudantes assim como testes de avaliação de conhecimentos.

Um docente refere ter deixado de usar testes de avaliação de conhecimentos e outro as apresentações orais realizadas pelos estudantes em sala de aula.

Um docente refere ter passado a usar auto-avaliação dos estudantes e avaliação inter-pares.


Tabela 15 - Mudanças na utilização dos elementos de avaliação em grupo relativamente à situação anterior a Bolonha

 
Nunca usei
ContUsar
DeixUsar
PassUsar
Ñ Resp
Total
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
F
f(%)
Apresentação oral de trabalhos
1
3,3%
27
90,0%
0
0,0%
0
0,0%
2
6,7%
30
100%
Auto-avaliação pelos estudantes
11
36,7%
12
40,0%
0
0,0%
1
3,3%
6
20,0%
30
Avaliação inter-pares
12
40,0%
7
23,3%
0
0,0%
1
3,3%
10
33,3%
30
Desempenho activ práticas
6
20,0%
19
63,3%
0
0,0%
0
0,0%
5
16,7%
30
Particip estudantes activ aulas
1
3,3%
28
93,3%
0
0,0%
0
0,0%
1
3,3%
30
Particip activ"a distância"
9
30,0%
11
36,7%
0
0,0%
3
10,0%
7
23,3%
30
Produções escritas
5
16,7%
19
63,3%
0
0,0%
1
3,3%
5
16,7%
30
Projectos de Investigação/Acção
12
40,0%
8
26,7%
0
0,0%
0
0,0%
10
33,3%
30
Relatórios activ exper/práticas
8
26,7%
13
43,3%
0
0,0%
0
0,0%
9
30,0%
30
Relatórios de estágio
14
46,7%
4
13,3%
0
0,0%
0
0,0%
12
40,0%
30
Testes avaliação de conhecimentos
11
36,7%
10
33,3%
0
0,0%
0
0,0%
9
30,0%
30
Testes avaliação de conhecimentos e s/ aplicação
13
43,3%
9
30,0%
0
0,0%
0
0,0%
8
26,7%
30
Produção materiais modelos objectos
7
23,3%
20
66,7%
0
0,0%
0
0,0%
3
10,0%
30


No que se refere às mudanças identificadas na utilização de elementos de avaliação em grupo relativamente à situação anterior a Bolonha verifica-se que a maioria dos docentes continuou a ter em conta a participação dos estudantes nas actividades em sala de aula, a apresentação oral de trabalhos, a produção de materiais e modelos ou objectos, as produções escritas em grupo, o desempenho de grupo nas actividades práticas e os relatórios de Estágio.

Três docentes referem ter passado a usar as actividades realizadas a distância e, um para cada caso, referem o uso de avaliação inter-pares e a auto-avaliação realizada pelos estudantes do grupo.


Parte D - ANÁLISE DOS RESULTADOS DO MODELO DE ENSINO

Verifica-se um aumento significativo de sucesso, do ano 2007/2008 para o do ano lectivo 2008/2009 , do rácio de estudantes inscritos e aprovados.

No ano 2008/2009 não houve alteração significativa em relação ao ano de 2007/2008 no que diz respeito ao rácio avaliação/inscrição. Verifica-se que, no topo desta lista, estão as Unidades Curriculares Actualidade nos Media e Artes Performativas.

No mesmo ano, o rácio de aprovação de estudantes em relação ao número de estudantes avaliados sofreu um aumento de cerca de 6%. A Unidade Curricular Carteira de Competências ocupa o primeiro lugar uma vez que, pela primeira vez que, em 2008/2009, foi avaliada.

O rácio entre inscritos e aprovados melhorou em 2008/2009.

Em relação ao rácio entre avaliados e inscritos nas Unidades Curriculares de 2008/2009 verifica-se um resultado totalmente negativo (0%) em Língua Estrangeira Inglês B2, uma das Unidades que integra a Carteira de Literacias. A Unidade Curricular de Matemática para a Comunicação Social apresenta uma subida significativa relativamente ao ano anterior.

Os resultados relativamente à avaliação, em 2008/2009, revelam uma subida na aprovação embora haja diversas Unidades Curriculares em que tal não se verifica. Destaca-se Língua Estrangeira B2 da Carteira de Literacias (com 0%), o valor mais baixo de todas.

Nos valores mais baixos relativos ao rácio entre aprovados e inscritos verifica-se um alto nível de desistência nas Unidades Curriculares Língua Estrangeira Inglês B2 (da Carteira de Literacias). A Unidade Curricular de Matemática para a Comunicação Social (que no ano anterior ocupava um lugar muito baixo), deixa de figurar nesta lista. Outra área em que se verifica uma grande discrepância entre o rácio de aprovados e inscritos é a das Opções gerais e na Unidade Curricular de Ciência, Tecnologia e Sociedade (da Carteira de Literacias). Esta questão faz-nos reflectir sobre os critérios subjacentes à escolha das referidas Unidades Curriculares pelos estudantes.

No ano lectivo 2008/2009 deparamos com um aumento do número de diplomados em relação ao ano anterior uma vez que houve a saída de estudantes que realizaram o último ano do Curso ao fim de três anos, enquanto que, até então, as saídas se verificavam apenas ao fim de 5 anos de Curso.

Quanto ao que é a avaliação das(os) docentes do Curso de Comunicação Social do processo de aplicação da adequação a Bolonha há que referir que foram ainda as seguintes as áreas positivas e negativas identificadas:

Houve outras UC que eram módulos de disciplinas e que se autonomizaram e, nem sempre o desenvolvimento da UC nova foi facilitado pois houve que mudar diversos procedimentos.

Apesar de não haver agora UC que funcionem em estrutura modular, há algumas que, leccionadas por dois ou mais docentes diferentes, ainda não conseguiram ultrapassar aquela realidade.

A actividade dos docentes ficou sobrecarregada pois o que têm de fazer, extra sessões presenciais, como é o caso das tutorias e do acompanhamento da Carteira de Competências, exige um muito maior espaço de trabalho e de acompanhamento individual das(os) estudantes sem qualquer visibilidade institucional. A passagem a escrito de todas as actividades realizadas é também um exemplo do aumento da sobrecarga de trabalho desenvolvido.

A avaliação das(os) estudantes, assente em parâmetros que não incluem apenas os testes ou exames (como aliás já se fazia nesta Instituição) e realizada em épocas específicas que não seguem as normas anteriormente existentes para o efeito, foi objecto de uma maior discussão entre as(os) docentes do Curso. A redacção e aprovação de um novo Regulamento de Frequência e Avaliação (feitas pelo Conselho Pedagógico) foi fundamental para obviar a que mais problemas tivessem surgido nesta fase de adequação.

Muitas(os) estudantes queixam-se ainda de que, em relação a muitas UC, nem sempre o calendário de avaliações (quer finais quer intercalares) definido pelo Conselho Pedagógico foi respeitado pelos(as) docentes.

A estes problemas relativos á adequação do processo de Bolonha há que acrescentar um outro, ou seja, durante este tempo foi também mudada a coordenação de Curso o que não facilitou a aplicação do novo Currículo.


Tabela 16 - Indicadores de sucesso

Ano lectivoRácio (%)Anos do cursoMédia Global
1º ano 2º ano 3º ano
2008/09 aprov/inscr 74.9 78.1 85.1 78.9
aprov/aval 85.6 89.6 93.8 89.4
aval/inscr 87.5 87.2 90.8 11.7
2007/08 aprov/inscr 76.4 70.1 72.1 72.9
aprov/aval 87 79.3 83.7 83.3
aval/inscr 87.8 88.4 86.1 12.5
2006/07 aprov/inscr - - - -
aprov/aval - - - -
aval/inscr - - - -

Tabela 17 - Avaliações/Inscrições (valor mais alto)

UC
2008
Rácios ( % )
Aval./Inscr.
Actualidade nos Media100.0
Artes e Património100.0
Artes Gráficas100.0
Artes Performativas100.0
Comunicação e Património Literário100.0
Desporto de Recreação e Terceira Idade100.0
Fotojornalismo100.0
Geografia100.0
Língua e Comunicação Profissional100.0
Língua Gestual Portuguesa100.0
Média Global do Curso88.28

UC
2007
Rácios ( % )
Aval./Inscr.
Actualidade nos Media100.0
Artes e Património100.0
Artes Performativas100.0
Ciência Tecnologia e Sociedade100.0
Comunicação e Património Literário100.0
Comunicação Empresarial100.0
Da Produção Científica à Comunicação Científica100.0
Desporto de Recreação e Terceira Idade100.0
Educação para os Media e Gestão da Informação100.0
Ética e Deontologia Profissional100.0
Média Global do Curso87.53

Tabela 18 - Aprovações/Avaliações (valor mais alto)

UC
2008
Rácios ( % )
Aprov./Aval.
Animação de Públicos100.0
Carteira de Competências100.0
Comunicação e Património Literário100.0
Desporto de Recreação e Terceira Idade100.0
Estágio100.0
Expressão Dramática100.0
Língua Estrangeira - Francês B1100.0
Língua Estrangeira - Inglês B1100.0
Matemática Cultura e Realidade100.0
Produção de Conteúdos para a Web100.0
Média Global do Curso89.37

UC
2007
Rácios ( % )
Aprov./Aval.
Artes e Património100.0
Comunicação e Património Literário100.0
Discurso dos Media100.0
Estágio100.0
Expressão Dramática100.0
Fotojornalismo100.0
Intervenção Social com Populações e Grupos de Risco100.0
Língua Gestual Portuguesa100.0
Tecnologias e Comunicação100.0
Traumatologia e Primeiros Socorros100.0
Média Global do Curso83.27

Tabela 19 - Aprovações/Inscrições (valor mais alto)

UC
2008
Rácios ( % )
Aprov./Inscr.
Comunicação e Património Literário100.0
Desporto de Recreação e Terceira Idade100.0
Seminário de Investigação e Projeto de Comunicação93.33
Língua e Comunicação Profissional91.67
Marketing Cultural91.49
Fotografia90.7
Estágio90.48
Jornalismo Radiofónico90.0
Indústrias Culturais89.8
Linguagens do Audiovisual89.74
Média Global do Curso 78.9

UC
2007
Rácios ( % )
Aprov./Inscr.
Artes e Património100.0
Comunicação e Património Literário100.0
Intervenção Social com Populações e Grupos de Risco100.0
Língua Gestual Portuguesa100.0
Traumatologia e Primeiros Socorros100.0
Língua e Comunicação Profissional95.65
Produção e Promoção Cultural92.68
Linguagens do Audiovisual91.89
Actualidade nos Media90.74
Produção Audiovisual90.0
Média Global do Curso 72.89

Tabela 20 - Avaliações/Inscrições (valor mais baixo)

UC
2008
Rácios ( % )
Aval./Inscr.
Língua Estrangeira - Inglês B20.0
Língua Estrangeira - Inglês B157.14
Educação Postural e Actividade Profissional60.0
Animação de Públicos66.67
Evolução das Ideias em Ciência66.67
Da Produção Científica à Comunicação Científica71.43
Língua Estrangeira - Francês B171.43
Antropologia Cultural73.58
Matemática para a Comunicação Social73.91
Expressão Dramática75.0
Média Global do Curso88.28

UC
2007
Rácios ( % )
Aval./Inscr.
Economia Gestão e Empreendedorismo14.29
Matemática para a Comunicação Social23.08
Língua Estrangeira - Inglês B150.0
Fotojornalismo52.63
Marketing Cultural56.36
Teoria da Imagem60.26
Carteira de Competências62.07
Expressão Dramática66.67
Produção do Texto Jornalístico69.39
Antropologia Cultural70.91
Média Global do Curso87.53

Tabela 21 - Aprovações/Avaliações (valor mais baixo)

UC
2008
Rácios ( % )
Aprov./Aval.
Língua Estrangeira - Inglês B20.0
Artes e Património57.14
Ciência Tecnologia e Sociedade60.0
Fotojornalismo62.5
Educação Postural e Actividade Profissional66.67
Tecnologias e Comunicação72.73
Sociologia da Comunicação75.0
Contextos Profissionais76.19
Actualidade nos Media78.0
Teoria e Modelos da Comunicação80.49
Média Global do Curso89.37

UC
2007
Rácios ( % )
Aprov./Aval.
Economia Gestão e Empreendedorismo0.0
História Contemporânea e Cidadania42.86
Desporto de Recreação e Terceira Idade50.0
Indústrias Culturais50.94
Comunicação Empresarial56.6
Seminário de Investigação e Projeto de Comunicação60.0
Língua Estrangeira - Francês B162.5
Ética e Deontologia Profissional62.79
Teoria e Modelos da Comunicação64.15
Matemática para a Comunicação Social66.67
Média Global do Curso83.27

Tabela 22 - Aprovações/Inscrições (valor mais baixo)

UC
2008
Rácios ( % )
Aprov./Inscr.
Língua Estrangeira - Inglês B20.0
Educação Postural e Actividade Profissional40.0
Ciência Tecnologia e Sociedade46.15
Evolução das Ideias em Ciência55.56
Artes e Património57.14
Língua Estrangeira - Inglês B157.14
Teoria e Modelos da Comunicação61.11
Tecnologias e Comunicação61.54
Fotojornalismo62.5
Contextos Profissionais64.0
Média Global do Curso 78.9

UC
2007
Rácios ( % )
Aprov./Inscr.
Economia Gestão e Empreendedorismo0.0
Matemática para a Comunicação Social15.38
História Contemporânea e Cidadania42.86
Língua Estrangeira - Inglês B142.86
Indústrias Culturais49.09
Desporto de Recreação e Terceira Idade50.0
Fotojornalismo52.63
Marketing Cultural52.73
Teoria da Imagem55.13
Comunicação Empresarial56.6
Média Global do Curso 72.89

Tabela 23 - Indicadores globais (Pré Bolonha)

Ano lectivoConclusõesDesistências
2006/07321
2005/06194

Tabela 24 - Indicadores globais (Pós Bolonha)

Ano lectivoConclusõesDesistências
2008/095519
2007/083916

Tabela 25 - Distribuição das médias de conclusão de curso (Pós Bolonha)

Ano lectivoMédia GlobalMédiaNº de alunos%
2007/0813.33 1000.0
1100.0
12133.33
13133.33
1400.0
15133.33
1600.0
1700.0
1800.0
1900.0
2000.0

Parte E - MEDIDAS EM CURSO E/OU PLANEADAS PARA O ANO LECTIVO SEGUINTE, DE APOIO AO SUCESSO ESCOLAR

Neste grupo identificam-se algumas medidas urgentes a serem tidas em conta. Aponta-se a necessidade de um maior seguimento das (poucas) desistências que se têm verificado, sobretudo nos 1ºs anos do Curso. Neste sentido foi já desenvolvido, no âmbito da Unidade Curricular de projecto de Comunicação, uma folha de recolha de dados que, após a identificação da desistência (mesmo que sem informação oficial), se proceda à enumeração das causas que levam os estudantes a esta atitude. Neste ano lectivo já foi aplicada a referida ficha e conclui-se que: em três casos identificados, um se deveu a falta de condições financeiras para prosseguir; outro por falta de compatibilidade entre horário laboral e horário escolar e falta de facilidades da entidade empregadora face ao estatuto de trabalhador-estudante e um último em que a Embaixada de um PALOP não conseguiu, de forma atempada, a organização do processo de atribuição de bolsa à estudante em causa.

Tem sido feito um maior esforço no sentido do acompanhamento de estudantes entrados pelo sistema de maiores de 23 anos, acompanhamento das entradas do primeiro ano identificando dificuldades, ansiedade, gestão de horários de trabalho e estudo.

Tem havido mais rigor na escolha da Carteira de Literacias (do que sabem menos para o que sabem mais) valorizando mais o processo/progresso e considerando menos importante o ponto de chegada e valorizando o percurso de aprendizagem realizado por cada estudante. A colaboração com o Conselho Directivo tem sido fundamental nesta área uma vez que todo o processo foi gerido também com/entre todas as coordenações de Curso.

A articulação de períodos de Estágio de todos os Cursos melhorou a forma de trabalhar nas UC quer nas obrigatórias quer nas de Opção.

Como medida positiva definida este ano a que se refere o relatório há que manter os critérios da distribuição das UC por semestre uma vez que se conseguiu melhorar o número de presenças nas actividades presenciais assim como a organização dos horários dos estudantes, permitindo-lhes dispor de mais tempo (ou melhor organizado) para toda a actividade autónoma que têm de desenvolver.

O reforço da equipa de tutores do Curso tem de ser pensado uma vez que a UC de Carteira de Competências é aquela em que os estudantes se sentem mais inseguros e que pode apresentar maiores discrepâncias de funcionamento entre tutores oriundos de diversas áreas científicas.

Manter a orientação tutorial com as características que lhe foram dadas neste ano é uma prioridade para que os estudantes reconheçam a importância que, no desenvolvimento de todo o tipo de competências, pode ter aquela estrutura de apoio.

Sensibilizar os docentes para a necessidade de uma maior cooperação em diversas UC que podem utilizar alguns produtos de avaliação comuns é uma tarefa que também tem de ser levada a cabo, podendo essa articulação ser levada à harmonização de alguns conteúdos de UC diferentes.

Finalmente a manutenção (iniciada este ano) de constantes reuniões temáticas entre coordenação de curso e estudantes revelou-se uma forma simples mas extremamente eficaz de, em tempo útil e de forma célere, resolver muitas e diversas questões do quotidiano estudantil (seja resolvendo problemas de compreensão da estrutura do Curso, dos critérios de escolha de Carteira de Literacias, de atribuição de tutorias, de uniformização de documentos de registo de actividades/relatórios da carteira de Competências, de sessões para apreciação do Regulamento de Frequência e Avaliação, de Certificação de Competências em regime de RVC, entre outras).


Parte F - ACÇÕES DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EXTRACURRICULARES

A UC Carteira de Competências, que faz parte do plano de estudos do Curso de Comunicação Social assim como do de todos os cursos adaptados a Bolonha. A sua forma de funcionamento, conteúdos, identificação de competências sistémicas, gerais do Instituto Politécnico, gerais da Escola Superior de Educação assim como específicas de cada Curso (ver ponto B1), tem como finalidade a aquisição de competências extra-curriculares, a desenvolver em contextos não-formais e informais (actividades de âmbito profissional, científico, social, etc.), ao longo dos três anos da licenciatura, permitindo adquirir 5 créditos no âmbito do plano de estudos.

Esta UC tem sido aquela em que, quanto melhor é entendido o seu alcance pelos tutores e estudantes, mais rica se tem verificado na realização dos princípios subjacentes ao processo de mudança em curso.


Parte G - INSERÇÃO NA VIDA ACTIVA E EMPREGABILIDADE


Parte H - INQUÉRITO AOS ESTUDANTES

A leitura e a análise dos Inquéritos realizados aos docentes podem ser completadas com a leitura dos resultados do trabalho do Focus Group e permite um maior conhecimento da forma como os estudantes vêem, apreciam e avaliam as Unidades Curriculares que frequentam.

No ano a que se refere este Relatório de Execução ainda não foi possível elaborar um inquérito para aplicar a todos estudantes do IPS. A forma de recolha de dados foi muito diversa dentro das várias Escolas ou Unidades Orgânicas: enquanto que algumas utilizam já um inquérito validado em situações/anos anteriores, a Escola Superior de Educação não conseguiu ainda elaborar um documento único para recolha de dados sobre funcionamento de cada Unidade Curricular, aplicável junto dos estudantes.

Por essa razão e, dado ter sido realizado o inquérito aos docentes já durante o mês de Novembro/Dezembro 2009, só nos foi possível obter dados junto dos estudantes através da utilização da técnica de Focus Group ou Grupo de Discussão, técnica utilizada em pesquisas qualitativas e à qual já recorrêramos no Relatório anterior.

Mais uma vez não recorremos a dados estatísticos e considerámos que a recolha de informações junto dos estudantes deveria ser feita a partir de um ponto de vista fenomenológico (Husserl, 1936) , no sentido filosófico do conceito.

Os dados recolhidos foram do tipo não verbal (captação de gestos, posturas e movimentos por parte do observador em relação ao grupo observado aquando da apresentação de questões sobre as Unidades Curriculares), verbal (respostas às questões, entoação e contexto) e ainda escrito (em alguns caos, como o contacto com alguns estudantes não pode ser feito oralmente, foi-lhe solicitado que deixassem, por escrito, as suas reflexões).

Foram chamados a participar os estudantes que integram o Conselho Pedagógico em representação dos estudantes do Curso (num total de duas), as duas docentes que, no mesmo Órgão de Gestão, representam os professores/docentes e ainda os estudantes que, por serem do 3º ano e serem próximas da Associação de Estudantes, se apresentavam com perfil para participar neste Grupo de Discussão. Os dados que enumeramos sobre a apreciação feita das Unidades Curriculares em análise foram os que identificámos ao longo das transcrições das discussões do grupo, às quais acrescentámos todas as reflexões que as duas docentes anotaram ao longo da discussão.

Uma vez que apenas se realizaram duas reuniões para este fim, só não foi respeitada, durante a recolha de dados, a realização de “reuniões em série”, identificada por Krueger (1994) como uma das características desta metodologia (tinham ficado salvaguardadas as outras, ou seja, envolvimento e homogeneidade dos participantes, produção de dados e discussão sempre centrada num tópico criado pela pesquisa). Os dados obtidos são vistos aqui como fundamentais para apoio a este Relatório de Execução do Processo de Bolonha uma vez que esta metodologia foi usada para objectivar, de forma quase confidencial, as ideias que os participantes têm sobre a experiência em curso, ou seja, sobre as alterações que a introdução do Processo de Bolonha traz ao quotidiano pessoal, científico e profissional da instituição e dos estudantes. A facilidade com que, num curto espaço de tempo, podíamos obter inúmeros dados sobre o funcionamento do Curso, levou-nos a adoptar esta metodologia (Morgan, 1988). Desta forma foi possível listar um conjunto de opiniões e percepções dos estudantes sobre a Instituição, a organização curricular, as alterações e o desenrolar da actividade científico-pedagógica em cada Unidade Curricular assim como as suas preocupações e sugestões de melhoria de funcionamento em relação a alguns desses aspectos (Parasuraman, 1986).

Como alguns teóricos desta área referem (Morgan, 1988; Krueger, 1994), o maior problema foi a reunião atempada de todos os elementos seleccionados para o Focus Group. Por tal razão, houve dados que só foi possível obter através do envio das questões aos participantes através de correio electrónico (dois casos).

O guia para condução da discussão no Grupo foi elaborado a partir das questões que haviam sido identificadas e que compõem os Inquéritos realizados para os estudantes do Curso de Licenciatura em Educação Básica e para os de Desporto.

O Grupo de Discussão era composto por duas docentes e duas estudantes (representantes dos respectivos corpos no Conselho Pedagógico) e foram recebidos, por escrito, 9 respostas de estudantes que foram identificados pela equipa acima referida como representantes da Associação de Estudantes, dos trabalhadores-estudantes e do 3º ano (as representantes do Conselho Pedagógico são ambas do 2º ano). Esta forma de recolha de dados – através de uso de mensagens electrónicas - ainda é pouco utilizada em Focus Group mas tem vindo a recolher interesse da parte dos investigadores. A moderação do Grupo foi realizada pela representante dos professores que tentou assegurar que todos os tópicos fossem abordados.

Enumeram-se os aspectos apreciados por este Focus Group sobre as Unidades Curriculares realizada pelos estudantes (2º e 3º anos) e que foram:

Em relação ao primeiro tópico abordado - Identificação de competências a desenvolver em cada UC – a maioria dos estudantes considerou que é uma aposta interessante ter sido definido um conjunto de competências mais gerais – do IPS e da ESE – assim como um conjunto de outras identificadas como competências específicas do Curso, nos dois Ramos que o compõem.

Apesar de os docentes responderem que os programas das UC enumeram as situações de aprendizagem que concretizem desenvolvimento de competências, os estudante referem ter alguma dificuldade nessa identificação. A ideia de um modelo ainda muito assente em transmissão de conhecimentos (anterior a Bolonha) perante a necessidade de um maior investimento em desenvolvimento de competências (no actual quadro) pode ainda ser vista como uma justificação para esta resistência dos estudantes face ao tema analisado.

A maioria dos estudantes considera que o outro tópico analisado - adequação das componentes teóricas, práticas e teórico-práticas – é mais conseguido quando avaliam as UC que estão dentro daquele leque que consideram como as UC “nucleares” da sua área de formação do que quando se referem a outras UC muitas vezes vistas como “desnecessárias” para o Curso.

Os estudantes são muito objectivos quando se trata de identificar os aspectos (não) conseguidos em cada UC. Muitas vezes são mencionados o desconhecimento que lhes parece existir (por parte dos docentes mais “fora” das suas áreas) entre o que se deve fazer com este grupo de candidatos a uma profissão constantemente em evolução do ponto de vista prático/de produção.

Os estudantes são unânimes ao considerarem como muito satisfatório o grau de adequação das informações sobre as UC e o grau de adequação dos conteúdos.

Queixam-se da falta de disponibilidade e adequação da bibliografia e materiais de apoio das UC (A/V, informática) assim como das cargas horárias por UC (excessiva/deficitária para aulas/outras actividades) e do calendário lectivo, sobretudo no que se refere ao pouco tempo de que passou a dispor, por exemplo, a UC de Estágio (3º ano dos dois Ramos) uma vez que, alegam, não lhes ser possível cumprir um programa minimamente de qualidade no tempo de que dispõem para estar no terreno.

Outro aspecto ao qual tecem diversas críticas é ao acompanhamento tutorial por UC uma vez que, se ele é levado à exaustão em algumas UC, noutras ele não tem qualquer existência, apenas estando descrito no Programa da UC.

A foram como é gerida a UC Carteira de Competências também é apontada pelos estudantes de forma negativa uma vez que, na maioria dos casos, a produção de actividades é maior nos 2º e 3º anos do que no 1º, o que lhes parece mais desmotivador e menos produtivo. A falta de acesso de alguns estudantes aos respectivos tutores é outra crítica muito acesa no discurso sobre esta UC.

Outros dados identificados como críticos no funcionamento deste UC são: falta de apoio de alguns tutores para a realização, redacção e reformulação do relatório sobre as actividades desenvolvidas no âmbito da UC; divergências entre os tutores quer no que respeita aos critérios de aceitação das actividades a realizar, aos prazos de entrega dos relatórios e nos critérios de avaliação usados; poucas reuniões de acompanhamento das actividades desenvolvidas pelas estudantes.

Apenas o excesso de produtos de avaliação na maioria das UC é visto como um aspecto negativo. A maioria dos estudantes aprecia o facto de a avaliação ser muito diversificada pois permite que cada estudante desenvolva diversas competências que, se se usassem apenas os testes finais escritos, não seriam nunca avaliadas.

Quanto à identificação do grau de satisfação com Curso deparamos com dados muito diversos quando comparamos os discursos dos estudantes dos 2º e 3º anos: os primeiros identificam um grau de satisfação com o Curso superior aos segundos.

Ao questionarmos os estudantes sobre o apoio que lhes é dado pelos diversos órgãos de gestão da Escola e sobre a opinião que têm sobre alguns dos serviços da instituição foram identificadas como inexistentes as relações entre o Conselho Pedagógico (onde são representados por duas estudantes) e o Curso e, como extremamente positivas, as relações com o Conselho Directivo mas muito negativas as relações com os serviços de Secretaria e de Bar assim como com a Associação de Estudantes. O estado de degradação de alguns materiais de uso corrente foi também mencionado neste dado negativo de apreciação da instituição.

No que respeita à apreciação do trabalho da Coordenação do Curso são referidos muito mais aspectos positivos do que negativos. Como exemplo dos segundos são apontados a pouca ligação que a coordenadora tem com o Curso em termos de docência (é responsável por duas UC no 1º ano e uma no 3º).


Parte Final - CONCLUSÕES

No ano lectivo 2009 há ainda várias tarefas a desenvolver que se prendem com a adequação do Curso de Comunicação Social ao processo de Bolonha. Apenas a título de exemplo foram listadas as seguintes:

Estas são as conclusões que o grupo de trabalho do Curso de Comunicação Social decidiu apresentar para inclusão no Relatório Anual de Execução do Processo de Bolonha da ESE.