Licenciatura em Marketing
João Ramos é antigo aluno do Instituto Politécnico de Setúbal e
frequentou a Licenciatura em Marketing na Escola Superior de
Ciências Empresariais do IPS, entre 2002 e 2006.
Iniciou carreira na Darmos Worlwide, uma empresa especialista na
gestão de marcas próprias. Aqui, desempenhou funções de consultoria
e gestão de produtos de grande consumo, nos escritórios da empresa
em Portugal, Estados Unidos e Letónia. Em Portugal, foi responsável
pela gestão das marcas próprias da Jerónimo Martins (Pingo doce e
MasterChef).
Atualmente, dirige o negócio da subsidiária da Actualsales no
México - Empresa Portuguesa de Webmarketing de Performance,
tendo como desafio a implementação de um modelo inovador neste
país, no qual considera que "a internet ainda tem muito potencial para
crescer".
A Licenciatura foi, para o seu percurso de vida, "uma importante fase
de aprendizagem e crescimento, quer em Portugal quer na experiência
internacional através do programa Erasmus" - explica o antigo aluno.
1. Licenciou-
se no curso de Marketing. Foi uma opção tomada por vocação?
Penso que a junção da parte analítica com a componente de
comportamento do consumidor acabaram por ser a combinação
perfeita. É uma disciplina com um impacto direto muito grande no dia-
a- dia de todos nós e cujo resultado do nosso trabalho acaba por ser
refletido de forma muito real.
2. O que o
levou a escolher a Escola Superior de Ciências Empresariais do
Instituto Politécnico de Setúbal?
Apesar de ser muito mais recente que as tradicionais universidades na
área de gestão, a ESCE/IPS tem instalações invejáveis e recursos
ótimos (centro de documentação, parque informático, etc.). Além
disso, o plano de formação com uma componente muito prática são
algo essencial nos dias de hoje. O plano de estudos, que agrupa o
período de aulas em blocos compactos, ocupando apenas uma parte
do dia (manhã ou tarde) possibilita, também, uma ótima conjugação
dos estudos com atividades extra curriculares, essenciais para o
desenvolvimento pessoal e profissional.
3. Quais os
momentos do curso que recorda com mais carinho?
Não penso que tenha existido um momento, mas sim um conjunto de
pessoas e situações que acabam por nos marcar e que recordamos no
futuro. No meu caso, tive a oportunidade de ter situações dessas quer
em Portugal quer na Polónia, onde fiz Erasmus.
4. Como
caracteriza a preparação que a Licenciatura lhe conferiu?
Penso que o carácter muito prático do curso é uma grande mais valia
no mercado de trabalho, pois qualquer que seja o rumo tomado, irão
sempre existir apresentações a colegas, clientes ou fornecedores, e o
trabalho em equipa é uma constante. Além disso, a base generalista
do curso nos primeiros semestres confere uma excelente preparação
para o que é depois a realidade numa empresa e para um crescimento
de carreira que passará, inevitavelmente, por um conhecimento de
várias áreas, quer seja no sentido de direção, interação ou,
simplesmente, para uma melhor adaptação às diferentes situações e
desafios com que somos confrontados no dia-a-dia.
5. Terminado
o curso, como ocorreu o ingresso no mercado de trabalho?
Como parte da licenciatura, o estágio curricular acabou por ser a
entrada na empresa onde depois continuei e cresci profissionalmente.
Penso que é uma ferramenta muito útil, quer para o aluno quer para
a empresa que tem uma oportunidade de avaliar um potencial
colaborador ao longo de 3 meses e em diferentes situações reais, algo
que num tradicional processo de análise de CV e entrevista é
impossível de fazer.
6. Como tem
sido o seu percurso profissional?
Tive a sorte de encontrar empresas que sempre me possibilitaram,
desde cedo, um alto grau de autonomia e, inevitavelmente, de
responsabilidade, o que me permitiu estar envolvido em situações
bastante desafiadoras e com grande potencial de desenvolvimento
pessoal e profissional. Esse facto, aliado a uma vontade inata de
querer sempre aprender mais e fazer melhor, possibilitaram-me uma
série de experiências muito enriquecedoras, sendo a mais recente a
ida para o México.
7. Como
surgiu o desafio da Actualsales no México?
A ActualSales tem tido níveis de crescimento muito altos desde o
primeiro ano de existência. Hoje em dia, somos o maior investidor
online em Portugal e as oportunidades de crescimento passam muito
pela internacionalização, algo que, desde cedo, faz parte do ADN da
ActualSales. A região da América Latina tem um potencial enorme,
quer pelo tamanho dos mercados, quer pela fase de crescimento e
desenvolvimento económico em que estão. A entrada no Brasil, há
cerca de 2 anos, foi o primeiro passo e veio confirmar o potencial da
região, para a qual fui escolhido como Country Manager para iniciar e
desenvolver o modelo da ActualSales.
8. No seu
entender, o que leva as pessoas a preferirem, cada vez mais, as
marcas próprias em detrimento das marcas de produto?
As marcas próprias tiveram um desenvolvimento muito grande, desde
o seu início em que a "marca branca" era apenas uma versão base de
um produto e que competia, essencialmente, pelo preço. Hoje em dia,
as marcas próprias continuam a manter uma alta competitividade no
preço, mas apresentam níveis de qualidade muito altos, ao nível e por
vezes superior ao das marcas líder em cada segmento. Em alguns
casos, são inclusive as marcas próprias a trazer inovação. Com os
períodos de dificuldade económica é normal que os consumidores
optem por produtos mais baratos, mas o fator mais interessante, em
Portugal e no Mundo é que depois de períodos económicos difíceis, as
marcas próprias não voltam aos níveis de vendas anteriores. Os
consumidores que, entretanto, experimentaram as marcas próprias
por necessidade acabam por manter-se por opção, pois nos mercados
mais desenvolvidos, em que se inclui Portugal, as marcas próprias têm
tanta qualidade como os líderes de mercado.
9. A
estratégia necessária no Marketing nasceu com os hobbies que
pratica, "taekwondo" e "paintball", ou foram estes hobbies que
influenciaram a sua faceta estratégica?
Muitas das características que utilizei e aprendi nas atividades que
desenvolvi ao longo da vida acabaram, inevitavelmente, por se refletir
no mundo profissional. Características como liderança, determinação e
capacidade de análise não são exclusivas ao mundo dos negócios e
muitas delas não se conseguem numa sala de aulas. Daí que seja tão
importante para os estudantes, hoje em dia, conciliarem os estudos
com atividades extra curriculares, sejam elas quais forem. No final de
cada ano há mais de 50.000 licenciados novos em Portugal. Ter uma
licenciatura, só por si, já não é um fator distintivo como em gerações
anteriores e atividades desportivas, períodos de estudo ou trabalho no
estrangeiro ou quaisquer outras atividades paralelas à academia
deviam ser consideradas como base pelos atuais estudantes. Só assim
podem sobressair no meio de centenas de CVs quando quiserem
entrar no mercado de trabalho.
10. Que
conselhos deixa aos estudantes do IPS que pretendam vingar no
mercado de trabalho? A Internacionalização é um caminho?
Temos a sorte de pertencer à União Europeia e de, com isso, termos
um acesso privilegiado a um mercado laboral muito maior que o
Português. Mesmo com outros países, existem inúmeros acordos para
facilitar a internacionalização profissional. Penso que hoje em dia já
não faz sentido estar limitado, à partida, ao mercado Português. E se
há altura em que as barreiras ou obstáculos são menores é
normalmente à saída do ensino superior. Mesmo para quem inicie a
sua carreira em Portugal, as probabilidades de ser confrontado com
uma oportunidade de internacionalização são muito altas, basta olhar
para as muitas empresas nacionais cujas operações no estrangeiro já
representam a maioria do seu negócio ou onde este apresenta os
maiores crescimentos.