Licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual
Portuguesa
1. Como
surgiu o interesse pela Língua Gestual Portuguesa?
Desde cedo, enquanto criança, ao deparar-me com uma forma de
comunicação diferente da minha, sempre tive vontade e interesse em
tentar perceber como seria esta comunicação gestual e como seria
elaborada a sua estrutura.
Este interesse foi aumentando ao perceber que existia uma barreira
de acesso à mesma, ou seja, a maioria das pessoas não tinham o
conhecimento da língua e fui percebendo que o número de
Gestuantes era muito reduzido. Isto prejudicava severamente as
pessoas com problemas auditivos. A balança da igualdade estava
simplesmente desigual e daí surgiu também a ideia de adquirir
conhecimentos nesta área, para balancear o peso da balança.
Depois com o passar do tempo, fui ganhando mais interesse no
sentido de aprofundar o meu conhecimento, pois sendo eu uma
pessoa comunicativa era importante não me limitar no mundo dos
gestos. Queria ir mais longe.
2. E o que o
motivou a optar por uma formação superior nesta área no IPS?
Sempre tive a vontade de aprofundar mais ainda o meu conhecimento
de uma forma teórica e prática junto daqueles que são mais
conhecedores da Língua Gestual Portuguesa, daí ter optado por
escolher uma licenciatura no IPS.
3. O que
recorda dos tempos de estudante e como foi a sua experiência de
estudar no IPS?
Neste momento recordo saudade. Estudar no IPS é um mundo
distante, repleto de magia, entre pares, entre pessoas, entre todos. É
a saudade do moscatel, a saudade do verde do IPS, é inclusive a
saudade das picadas dos “estefanilhos” (mosquitos).
4. É uma
área que permite trabalhar em diferentes contextos. Como decorreu a
sua integração no mercado de trabalho?
Entrei no mundo do trabalho de forma receosa, pois pensava sempre
que não estaria à altura dos desafios que sabia que iria ter. Era um
nível de exigência para o qual sentia que poderia não estar bem
preparado. No entanto, temos a sorte de ter bons professores, hoje
colegas, que até fora do IPS estão lá para nos dar todo o apoio quando
necessário, contribuindo para que as coisas corram de forma
harmoniosa.
Tudo acabou por correr bem e passados alguns meses do final do
curso, em 2015, já estava integrado a 100% no mercado de trabalho.
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5. Qual o tipo de trabalho e local onde mais gostou
de desempenhar funções?
Sem dúvida na televisão, mais precisamente na
SIC, pois estar a trabalhar em direto aumenta o nível de exigência e
não há ninguém à nossa volta. Estamos focados numa pessoa virtual
e depois temos milhares em casa a assistir e é um ambiente muito
tranquilo. Os programas de entretenimento são algo “leve”
comparativamente aos telejornais, onde tudo passa a correr, a uma
velocidade estonteante.
Trabalhar nas escolas é também uma mais-valia,
pois permite-nos crescer ao lado das pessoas surdas. Nós próprios
aprendemos vocabulário específico dos jovens, vamo-nos adaptando e
criando, inevitavelmente, um prazer e orgulho ao vê-los alcançarem
as metas propostas.
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6. Que
mensagem deixa aos futuros profissionais de Tradução e Interpretação
da Língua Gestual Portuguesa?
Que não basta só desejar. É uma profissão que exige que estejam
bem preparados e como tal têm que tentar chegar a outros meios de
reforço da aprendizagem. Não basta frequentar as aulas ou tirar o
curso, devem procurar associações, pessoas surdas e ter contacto com
essas associações e pessoas, pois todos os dias se aprende se algo
novo. Só desta forma conseguirão estruturar-se para alcançarem bons
resultados, bem como uma porta para um bom futuro. Não devem
deixar de tentar e de errar, porque também aprendemos com os erros.