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Luís Sousa Coutinho - Funcionário Clube Desportivo - Percurso Artístico

Comunidade IPS


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Luís Sousa Coutinho é o último irmão de uma numerosa e importante família portuguesa. Desde jovem que é um "curioso", e aprendiz dos mais variados ofícios. Na arte, já passou por várias áreas.
Actualmente considera a arte um passatempo, e a tempo inteiro é funcionário do Clube Desportivo do IPS.

Vamos conhecer Luís Sousa Coutinho!


Quem é o Luís Sousa Coutinho? Fale-nos um pouco da sua história de vida.

Com o nome de Luís, talvez eu seja mais conhecido por Coutinho desde que comecei a ser "gente"! Bem mais tarde optei pelo pseudónimo artístico de L.Sadino. É assim que me tratam no bairro do Casal das Figueiras, em Setúbal, e onde vivo. Em Timor-Leste, nos anos 70, deram-me o nome de Mau-Bére-Kóhe por ser um viajante nato.
Ao tornar-me num cidadão do mundo, nascido por acidente em Lisboa, e sendo o décimo nono parto de uma grande alentejana, que engravidou por vinte e uma vezes, que teria eu de fazer senão viver e amar a vida?! O meu pai, como bom desportista nacional e internacional, não perdeu tempo em representar este país, enquanto a senhora minha mãe se dedicava inteiramente aos outros numa generosidade sem limites. Foi assim que nasci e cresci neste lar, entre os arredores da cidade-museu de Évora e a Lisboa capital. Desde a infância que uma grande parte das férias eram passadas no campo, lado a lado com o mundo rural. Natal e Páscoa eram passados nesses grandes casarios alentejanos junto às lareiras. No Verão, os tanques de rega para as hortas faziam de piscinas maravilhosas. Era quando vinham primos e parentes ajudar à brincadeira num convívio são e familiar. Hoje vejo que não sou nem um puro alentejano nem um alfacinha de gema.
Ao ser o mais novo de 13 irmãos, já que os outros morreram à nascença, tinha mais liberdade de movimentos e mais facilmente era desculpado pelas asneiras que fazia. O facto de ter nascido num grande grupo levou-me a fazer inúmeras experiências em busca de um lugar neste mundo. Desde meter-me em bairros de lata, ou a passar por emigrante no mundo árabe e português, e até viver, aparentemente, como marginal, de tudo experimentei um pouco. Do deserto do Saara a Timor-Leste fui aprendendo a amar as diferenças e a apreciar as distintas culturas com os seus usos e costumes. Ao estudar filosofia descobri estar nas ruas das grandes cidades e nos píncaros das montanhas onde se encontram as povoações mais isoladas. Nas dificuldades aprendi que vale a pena viver adquirindo olhos para ver e coração para amar. Foi por tudo isto que tive vontade de aprender vários ofícios como uma necessidade de sobrevivência, e uma dose de aventura!
A vida encarregou-se de me ensinar que eu nunca mudaria o mundo se não fosse eu próprio a mudar primeiro.


Quando surgiu o gosto pelo mundo das artes, em especial pela pintura e desenho?

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Até hoje, a maior obra de arte que encontrei no planeta terra foi sem dúvida alguma o ser humano. Mas na infância e na juventude não era bem assim, quando ficava embevecido a olhar para quadros do José Malhoa, do Columbano, do Anunciação ou do Condeixa. É verdade que a única avó que conheci, a paterna, era uma aguarelista fantástica porque teve um excelente mestre, o Casanova dos finais do séc. XIX.
No colégio, onde conseguia sempre as melhores notas era no desenho e na composição.


Quais são os grandes temas das suas pinturas e que materiais utiliza habitualmente?

Ao gostar de "meter o nariz" em tudo, e de tudo querer aprender, fez com que experimentasse muitos materiais no desenho e na pintura. Tive épocas que fabriquei as próprias telas e fiz as minhas tintas a óleo, porque os grandes pintores na antiguidade também faziam o mesmo!
Desde a grafite à tinta-da-china e ao carvão, até ao pastel à aguarela, ao óleo e ao acrílico, com colagens à mistura, tudo isto quis experimentar. Cheguei à conclusão de que a grande beleza está na simplicidade e na pureza dos materiais. Hoje tenho por minha eleita a rainha da pintura: a aguarela! Pura e transparente não permite subterfúgios, enganos ou mentiras que nos levem a pensar que somos grandes pintores. Ali não há emendas a fazer ou disfarces, e acabamos por ficar muito retratados nela.
Paisagens, naturezas mortas e seres humanos são as minhas preferências, caso tenham o génio da criatividade e não a tentação da cópia.


Recorda-se da sua primeira pintura?

Como não me poderia lembrar, ainda hoje, dos três primeiros quadros que pintei a óleo?! Foi graças às enormes dores de dentes, que não desejo a ninguém, que me lancei na pintura a óleo em plena juventude. Refugiando-me na arte, eram noites em branco que passava a pintar, sobre platex, pequenos pintassilgos e cachapins abundantes nas hortas do Alentejo. Depois foi uma cabeça de Cristo, coroada de espinhos e bem dolorosa como as minhas dores de dentes!


Tem formação específica ou é autodidacta?

Começando como autodidacta, senti a necessidade imperiosa de fazer alguma formação. Tomei consciência de que a "pólvora" já estava descoberta há milhares de anos atrás, e de que eu só teria a beneficiar em aprender com os que me antecederam.
Aprendi que, antes de pintar, e por uma questão de honestidade é necessário desenhar muito, sem parar! É o desenho o suporte de toda a pintura. Por isso entrei numa academia de pintura e desenho, no sul de Espanha, em Málaga. Depois acabei por frequentar a Sociedade Nacional das Belas Artes, em Lisboa, num curso de três anos. Este curso era de nu ao vivo, desenho de movimento. Entretanto estive noutro curso de pintura a fresco, pertencente à fundação Ricardo Espírito Santo, também em Lisboa. Em Setúbal acabei por frequentar o atelier da minha boa amiga e pintora Dília Fraguito, como a Oficina de Desenho do amigo e professor António Galrrinho.


Como surgiu a ideia de mostrar as suas obras?

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Em Málaga, ao estilo de marginal, tive de recorrer ao engenho e começar a pintar a pastel no meio das ruas porque a polícia me retirou todo o artesanato que era o meu meio de sobrevivência.
No dia seguinte à desgraça, lá estava o Luís de joelhos, todo porco e imundo a pintar no chão grandes temas religiosos do agrado da população local. O dinheiro chovia a rodos, e por isso meti-me na academia do pintor Paco Hidalgo! Ficámos grandes amigos e ele deu-me força para continuar.
As exposições vieram a seguir quando comecei a viver em Setúbal, porque sentia mais confiança naquilo que fazia. Acabei também por pintar uma dúzia de quadros para as Igrejas da diocese de Setúbal, e viver três anos só da arte.
Essa oportunidade acabou, e o mundo começou a dar muitas voltas até me tornar funcionário público no IPS. Agora só nos tempos livres é que penso na arte e recorro a ela para lhe "dar os bons dias e beijá-la de longe a longe, não deixando morrer esse amor eterno que é um pedaço de nós próprios!"


E a poesia? Onde descobriu esse talento?

Apesar de tudo, tanto a pintura como a arte em geral, nunca foram para mim um absoluto. Para além da música, também fiz poesia, teatro e escultura porque era insaciável no desejo do conhecimento. Hoje, já bastante mais calmo, ainda recordo a primeira poesia feita na adolescência:

Asas brancas, branquinhas
cor da neve, cor da espuma
e do linho no tear;

Asas lindas, muito lindas
de pombinhos a voar
ao som do vento uma a uma

Como as ondas buliçosas
entre rochas cavernosas
desfazendo-se em espuma!


Bastava uma recordação, uma noite de luar, um pássaro a chilrear, ou contemplar uma arca velha abandonada, para despertar em mim o desejo de escrever. Uma das últimas coisas que escrevi foi à minha chegada a Timor-Leste, no ano de 2000:

Pensei em Timor
como a madrugada
no regaço da terra-mãe;
Sonhava então sem saber
que a miragem era fruto
da confusão total
deste espírito que sobrevoa enseadas...

Do alto, Timor-Leste...
minha alma gritava!
Em terra, destruição e morte,
Díli queimada em tempo de guerra,
num calor tropical
O meu corpo vibrou indignado:
"Maldito inferno
para os que violaram
corações maternos!"


Tem alguma fonte de inspiração ou autores de referência?

Ao longo da vida vamos evoluindo, e por isso, ao ter na infância e juventude como modelos de Leonardo Da Vinci a Miguel Ângelo, passei depois a gostar muito de Van Gogh, de Paul Gauguin e dos impressionistas franceses e também Chagal.
Só mais tarde descobri Pablo Picasso, e Paula Rêgo, mesmo se a mensagem desta última me repugna!
Na poesia, para além do grande Camões, e de Fernando Pessoa, tinha como predilecta a bela alentejana, de Vila Viçosa: Florbela Espanca.


E perspectivas quanto ao futuro no mundo das artes?

Para mim a arte não é um fim, mas um meio que ajuda a Humanidade a ser mais feliz e a reflectir, indo ao encontro do essencial: de nós próprios e do Outro.
É por todas estas razões que me esforço em viver já o futuro no presente antes que perca tudo e acabe por não viver nada! Aqui está, para mim, a chave da felicidade.


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